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Angola: Albinismo sinónimo de discriminação

  • Conceição Lázaro

Celso Malavoloneke, director do Movimento Comunicação Integrada, e colunista do Semanário Angolense

Celso Malavoloneke, director do Movimento Comunicação Integrada, e colunista do Semanário Angolense

Recentemente, um jovem albino, foi expulso de um estádio de futebol por alegado pacto com forças ocultas.

Albinismo: sinónimo de discriminação

Crenças, superstições, discriminaçao e preconceito são alguns dos desafios pelo que têm passado a maior parte dos albinos em Africa. Na Tanzânia, por exemplo, crenças em redor dos albinos dizem que aqueles têm poderes mágicos. Por isso os seus ossos e cabelos são comercializados a 200 dólares.

Em outros países como Burundi e Ruanda, muitos albinos são hostilizados, linchados e mortos. Diz-se que Angola é um dos países mais pacíficos quanto a crenças e supertisçoes que giram em torno dos albinos.

Contudo, o preconceito e a discriminação são cada vez mais acentuados. Recentemente, um jovem albino, foi expulso dum estádio de futebol por alegado pacto com forças ocultas. Havia quem ali acreditasse que a sua presença no local do jogo favoreceria a vitória de uma determinada equipa em determento da outra.

É cada vez mais comum, cruzarmo-nos com pelo menos um albino nas ruas de Luanda. E Yolanda é uma destas pessoas. A jovem conta-nos que metade da sua infancia viveu quase que escondida das outras crianças. Isto porque na ignorância, alguns dos seus colegas espiavam-na ou afastavam-se.

Hoje aos 25 anos, Yolanda diz que a maior discriminação quem tem sofrido é ser tratada às vezes nas ruas “por quilomba” termo que muitos dos angolanos usam como forma de discriminação.

Parece que nenhum albino escapa a este tipo de discriminação. Guilherme Santos recorda que recentemente, depois de muitos anos, reviveu na igreja o que passou.

De acordo com Guilherme, muitas vezes a hostilização, a discriminação e os estereótipos surgem por parte de familiares. Contudo, nota, teve mais protecção de familiares e de amigos do que discriminação. Falou ainda do preconceito construído psicologicamente que ainda persiste na sociedade.

Guilherme lançou alguns desafios que podem ser ultrapassados se todos estiverem envolvidos em dar apoio psico-social aos familiares de pessoas com deficiência na melanina. E disse que é possível acabar com a problemática da exclusão social contra os albinos

Actualmente Guilherme Santos preside à Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), cargo que para Guilherme prova que os albinos são tão capazes como qualquer outra pessoa.

No entanto Yolanda também luta para demonstarar a sociedade as suas capacidades. Aos 25 anos, Yolanda tem uma filha, e chegou a recear que a mesma apresentasse também ausência completa ou parcial de pigmento na pele.

Viúva e órfã de pai, Yolanda tem passado por imensas dificuldades, como a falta de emprego e dinheiro para terminar a sua licenciatura em serviço social.

Optimista, disse não associar a falta de emprego e consequentemente o dinheiro ao facto de ser albina, mas sim porque o país não oferece oportunidades de trabalho aos jovens.

A pessoa Albina é uma pessoa normal, por isso não deve ser tratada como alguém especial.

O albinismo é causado por uma deficiência de melanina, que causa a pigmentação da pele. A discriminação contra albinos é um problema em África. No entanto angola é um dos poucos países onde a carga preconceituosa que incluem pratica de crenças, discriminação e esteorotipos não é tao forte se comparado a outros países da Africa central dos Grandes Lagos.

Ouça a reportagem da Conceição Lázaro.

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