Links de Acesso

Mulheres africanas ascendem na política


Presidente Joyce Banda, do Malawi

Presidente Joyce Banda, do Malawi

A tomada de posse este mês de Joyce Banda como presidente do Malawi tornou-a na segunda mulher chefe de Estado em África – após a vitória eleitoral de Ellen Johnson Sirleaf na Libéria em 2005.

A tomada de posse este mês de Joyce Banda como presidente do Malawi tornou-a na segunda mulher chefe de Estado em África – após a vitória eleitoral de Ellen Johnson Sirleaf na Libéria em 2005. Muitos vêm nisso um avanço muito importante para as mulheres num continente que tem sido dominado por figuras políticas masculinas.

John Kapito, chefe da Comissão de Direitos Humanos do Malawi, tem acompanhado a carreira política de Joyce Banda desde há vários anos. Segue-a desde 1990 quando fundou a Associação Nacional das Mulheres Empresárias – que fornece treino e empréstimos a mulheres que querem formar pequenas empresas. Kapito assistiu também à criação da Fundação Joyce Banda, uma organização de caridade que ajuda órfãos e crianças com poucos recursos no Malawi a terem uma educação escolar. Em 1997, Joyce Banda foi galardoada com o Prémio Africano da Liderança para um Fim Sustentável da Fome – conferido pelo Projecto Fome, sedeado nos Estados Unidos.

Mas a ascensão lenta mas firme de Joyce Banda até ao topo não foi fácil. Ela acabou com um casamento abusivo em 1981 numa altura em que a maioria das mulheres permanecia em tais situações. Mais tarde, como vice-presidente do Malawi e também como vice-presidente do partido governamental, perdeu a sua posição no partido depois de ter recusado apoiar o então presidente Bingu wa Mutharika na sua tentativa de ter o seu irmão a suceder-lhe na presidência.

Por isso, depois de Mutharika ter morrido subitamente em Abril, a vice-presidente Joyce Banda tornou-se na presidente Joyce Banda.

John Kapito disse que a senhora Banda é um modelo para as mulheres e para o país no seu todo – bem capaz de garantir que os direitos dos pobres, especialmente as mulheres rurais, sejam respeitados:

“Como mulher penso que tem demonstrado que deve ser ouvida. Ela não pode ser manipulada facilmente. A maioria das empresas no Malawi é dirigida e dominada por homens. E penso que isso será um teste onde ela se poderá intrometer e dizer que quer transferir todos esses recursos para as populações rurais, para as pessoas pobres em áreas rurais.”

Ebrahim Faqir, do Instituto Eleitoral Sul-Africano para uma Democracia Sustentável em África, nota que as presidentes Banda e Sirleaf tem promovido os direitos das mulheres e detiveram posições no sector privado e empresarial – conhecimentos e experiencias que levaram para as suas presidências.

Faqir acrescentou que o sucesso de Banda e Sirleaf acontece numa altura em que o cuidado dos filhos e trabalhos domésticos limitam ainda muitas mulheres de prosseguirem posições de alto nível na administração pública e que em muitas partes em África existe ainda um confronto entre tradicionais e modernos pontos de vista do papel das mulheres na vida pública, mas que isso está a mudar rapidamente.

XS
SM
MD
LG