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Cacau: Conflito põe em risco liderança marfinense

  • Eduardo Ferro

Cacau: Conflito põe em risco liderança marfinense

Cacau: Conflito põe em risco liderança marfinense

Os recentes confrontos na Costa do Marfim poderão por em causa a sua posição do principal produtor mundial daquela matéria-prima.

A Costa do Marfim deverá voltar a exportar cacau ainda esta semana, mas, muitos analistas afirmam que os recentes confrontos no país poderão por em causa a sua posição do principal produtor mundial daquela matéria-prima.

Quando se fala de chocolate é inevitável a associação com o nome da Costa do Marfim.

De Nova Iorque a Nova Deli as flutuações do preço do cacau estão sempre intimamente ligadas ao clima político marfinense.

Na última década, as cotações do cacau subiram e desceram ao sabor das muitas confrontações entre marfinenses.

Durante os últimos meses o preço atingiu o seu ponto mais alto em 32 anos depois do presidente Alassane Ouattara ter ordenado a proibição das exportações para tentar privar de fundos o seu antecessor Laurent Gbagbo que se recusava a deixar o poder.

No princípio do mês as forças de Ouattara detiveram finalmente Gbagbo. Com o termo das hostilidades as exportações do cacau deverão recomeçar nos próximos dias, e, este ano as colheitas deverão ser bastante boas devido às chuvas torrenciais que se abateram naquela região devido ao fenómeno meteorológico “La Niña”.

O problema é que, aquele fenómeno, segue-se normalmente um período de estiagem e os economistas afirmam que nessa altura virá à tona o panorama real da Costa do Marfim depois de uma década de guerra.

De acordo com os analistas, durante a prolongada crise, os líderes marfinenses serviram-se do conflito para usar o cacau como moeda de troca sem qualquer benefício para os produtores e sem aplicarem os fundos necessários para manter os terrenos férteis.

Grande parte dos lucros ficaram nas mãos dos militares ou das autoridades portuárias.

Enquanto isso o cacaueiro médio na Costa do Marfim tem actualmente cerca de 30 anos de idade tendo já ultrapassado a sua fase mais produtiva.

Durante dez anos, afirma Gary Mead , director da revista “World Crops”, os fazendeiros marfinenses viram as suas árvores envelhecerem sem serem capazes de substitui-las: “eles nada podiam fazer no contexto de uma guerra quase constante cercados de milícias e de outros grupos armados. As pessoas desinteressam-se e só produzem o necessário para sobreviver no dia-a-dia.”

Mas, mesmo que os fazendeiros tivessem imediatamente acesso a financiamentos para plantar novos cacaueiros, seria necessário esperar entre 3 a 5 anos para obter as primeiras colheitas razoáveis.

Tendo isso em linha de conta, a Costa do Marfim poderá perder assim a sua tradicional posição como principal produtor mundial de cacau.

O beneficiado será o Gana, um exemplo de estabilidade democrática em África desde as eleições de 1992.

Tradicionalmente o Gana produz cerca de metade do cacau da Costa do Marfim, mas, segundo dizem os analistas poderá ultrapassar o país vizinho já em 2015.

Enquanto isso a Costa do Marfim vai necessitar de investimentos na ordem das centenas de milhão de dólares apenas para tentar manter a sua produção actual.

O problema é que neste momento não há muitos investidores interessados no sector do cacau, e, os poucos que existem preferem aplicar o seu dinheiro no Gana onde existem mais garantias de boa governação.

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