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Charles Taylor responsável por crimes de guerra e contra a humanidade

  • Lisa Bryant

O primeiro chefe de Estado africano condenado por um tribunal internacional

Em Haia, um tribunal internacional considerou o antigo senhor da guerra e presidente liberiano Charles Taylor responsável por crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra civil na Serra Leoa.

Taylor tinha afirmado não ser culpado das acusações e tem o direito de apelo.

O primeiro chefe de Estado africano condenado por um tribunal internacional e o primeiro de todo o mundo a ser considerado culpado, depois de Nuremberga.

Com um semblante sombrio e trajando um fato azul-escuro, ao antigo dirigente liberiano Charles Taylor manteve-se silencioso enquanto o juiz presidente Richard Lussick leu a sentença do Tribunal Penal Internacional para a Serra Leoa.

“O colectivo considera-o responsável por crimes contra a humanidade cometidos; de planear os ataques em Kono e Makeni em Dezembro de 1998, e da invasão e retirada de Freetown entre Dezembro de 1998 e Fevereiro de 1999.”

Mais concretamente os juízes consideraram Taylor de 64 anos de idade culpado de ajudar os rebeldes da Frente Revolucionaria Unida, que assassinaram dezenas de milhares de pessoas durante a guerra civil na Serra Leoa.

O tribunal indicou que Taylor recebeu os denominados “diamantes de sangue” em troca de fornecer armamento, munições e equipamento de comunicação, e no planeamento dos rebeldes, que cometeram crimes incluindo violação, recrutamento forçado de crianças-soldado e de raptos para escravatura sexual, durante os 10 anos de guerra civil.

O juiz salientou que o tribunal não conseguiu provar que Taylor fez parte de uma organização criminosa – ou que a sua influência sobre os rebeldes constituiu um comando e controle efectivo dos rebeldes.

O TPI demorou quase cinco anos a considerar as acusações contra Charles Taylor. Um porta-voz do ministério britânico dos Negócios Estrangeiros afirmou que o ex-Presidente da Libéria irá cumprir pena num presídio britânico, o qual será decidido após serem conhecidos os termos da condenação. A leitura da sentença ficou marcada para dia 30 de Maio de 2012.

Na capital da Libéria, Monróvia, as forças de segurança internacionais da Minul (Missão das Nações Unidas na Libéria) reforçaram o policiamento em todas as ruas, para prevenir distúrbios após o veredicto.

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