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Um pai para crianças de rua

  • Esperança Gaspar

Um pai para crianças de rua

Um pai para crianças de rua

Produtora "Meninos de Rua" procura talento entre jovens que vivem nas ruas

Por vários motivos, muitas crianças, em Luanda encontram-se a viver na rua. Em diferentes pontos da cidade, o aglomerado de crianças de rua é constante.

São petizes que fugiram de casa, por maus-tratos, algumas porque foram expulsas pelos seus familiares, acusadas de feitiçaria e outras porque ficaram órfãs. Com alguma sorte, muitas delas são amparadas pelos centros de acolhimento, mas umas ficam atiradas à sua sorte na rua.

E como exemplo está o José Carlos, que lutou pela sobrevivência, pelas ruas de Luanda, durante 30 dias, até que foi recolhido pelo Ministério da Assistência e Reinserção Social.

Hoje, com 23 anos de idade, José Carlos é formado e trabalha como assistente de produção. Tornou-se num pai adoptivo de 36 crianças e tem a tarefa de caça talentos no projecto “ produtora Meninos de Rua” criado por ele.

José Carlos disse que a ideia nasceu da sua própria experiência.

“Eu vivi na rua durante cerca de um mês,” disse ele.

“Hoje que já tenho emprego decidi trabalhar com os meus irmãos que ainda vivem na rua,” acrescentou, afirmando ainda acreditar que todos “podem ser transformados desde que haja oportunidades”.

Um pai para crianças de rua

Um pai para crianças de rua


Dentro do projecto “Produtora de Meninos de Rua,” José Carlos formou o grupo de dança, teatro e musical. A Staff das estrelas composta por crianças dos 9 aos 11 anos é a que mais tem progredido.

De talento a talento, surge o vocalista principal do grupo “Staff das Estrelas”, Custódio Monteiro, tem 11 anos de idade e foi expulso de casa pelo padrasto há 1 ano

A “Staff da Estrela” existe a 8 meses, está com 10 faixas musicais, aguardando por patrocínio para o lançamento da obra discográfica.

Uma música que espelha a história de vida que cada uma das crianças que se encontra a viver na rua carrega.

Celson é outro vocalista, com as suas músicas, o menino de 10 anos de idade, incentiva outras crianças a apostarem na formação.

“Vamos estudar para o ser o futuro de amanhã,” é um refrão de uma das suas canções.

Assim acontece também com o grupo teatral, onde as peças retratam o dia-a-dia de algumas famílias angolanas.


António Walter, é natural de Malanje, saiu da terra natal devido ao conflito armado. Vive na rua, há 15 anos, e sobrevivi como lavador de carro. Graças ao Projecto “Produtora de Meninos d Rua”, descobriu à sua vocação pela música entoiando canções que desencorajam o uso das drogas

Drogas constituem um dos temas de uma das suas músicas, uma realidade que atravessa a vida de algumas pessoas que vivem nas ruas.

“Eu também estive nas drogas mas depois incentivaram-me a ir à igreja e deixei esses vícios todos,” disse.

Miguel é desmobilizada de guerra, perdeu à visão nos combates, veio a Luanda a procura de melhores condições de vida para sua família.

Para sobreviver optou pelo pedido de esmola como forma de sustento. Viveu durante muitos anos na rua e hoje com o dinheiro acumulado conseguiu arrendar um quarto. Miguel está com de 54 anos canta a solo. O semba é o seu estilo dentro do projecto produtor de crianças na rua.

É com o salário mensal que recebe de 300 dólares, como assistente de produção, que José compra roupa e alimentação para as crianças.

José Carlos, receia que o projecto venha a desaparecer por falta de apoio. O jovem disse que já bateu várias portas, mas nenhuma foi-lhe aberta.

Contudo preocupação maior prende-se com a construção de um espaço ou o enquadramento destas crianças nos centros de acolhimento. Uma vez que ainda se encontram a viver na rua.


O desafio, segundo José Carlos, está em garantir a presença diária dos alfabetizadores, compositores e encenadores, voluntários nos focos onde as 36 crianças se encontram. A deslocação dos professores tem sido uma das dificuldades.

Ouça a reportagem com entrevistas

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