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Birmânia: Aung San Suu Kyi e o seu partido ganham as eleições intercalares

  • Daniel Schearf

Líder da oposição birmanesa e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, festejando a sua vitória e do seu partido nas eleições intercalares que abrem as vias para a oficialização no parlamento nacional dos opositores políticos há longos anos no exílio

Líder da oposição birmanesa e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, festejando a sua vitória e do seu partido nas eleições intercalares que abrem as vias para a oficialização no parlamento nacional dos opositores políticos há longos anos no exílio

Nobel da Paz foi eleita deputada e o seu partido terá conquistado 40 dos 45 lugares em disputa

A líder da Liga Nacional para a Democracia, Aung San Suu Kyi assegurou que o seu partido ganhou as eleições de ontem Domingo, o que abre uma nova era no país.

A imprensa oficial birmanesa disse que os resultados da eleição mostram que a Liga Nacional para a Democracia, na oposição, se encontra à frente, conquistando 40 das 44 cadeiras contestadas. Os restantes resultados não foram anunciados, afirmando os lideres da Liga que o Partido poderá vencido pelo menos 43 lugares parlamentares.

Os resultados ainda não foram confirmados pelas autoridades, e esta vitória da Nobel da Paz, vai apenas lhe permitir o controlo de uma pequena facção no parlamento.

Centenas de apoiantes e jornalistas concentraram-se diante da sede da Liga Nacional para a Democracia de Aung San Suu Kyi na manhã de hoje para ouvir o breve discurso de vitória.

O partido tinha anunciado na véspera que a sua líder e os seus militantes ganharam esmagadoramente as eleições intercalares, conquistando quase todos os 45 lugares em disputa.

Se esses resultados vierem a ser confirmados, será então uma censura pública ao Partido de União para Solidariedade e Desenvolvimento apoiado pela junta militar e que detém uma esmagadora maioria parlamentar.

Aung San Suu Kyi disse aos apoiantes que na eventualidade de um dia, ela e o seu partido assumirem o governo depois de mais de 20 anos de exílio, vão cooperar com todos aqueles que desejam trabalhar em prol da reconciliação.

“Esperamos que este seja o início de uma nova era em que haverá mais ênfase no desempenho das pessoas na política do dia-a-dia do nosso país.”

Aung San Suu Kyi disse que a Liga Nacional para a Democracia – NLD - poderá continuar a pressionar para o primado da lei e o fim de conflitos étnicos e a revisão da constituição.

O maior desafio da NLD vai ser a reforma da constituição preparada pelos militares. Ainda que ganhe todos os 45 lugares disputados nas eleições de ontem, o que representa apenas cerca de 7 por cento dos assentos parlamentares, a maioria dos lugares no parlamento vai continuar a ser ocupada pelos militares ou seus apoiantes.

A actual constituição garante o domínio continuado do governo pelos militares e reserva a junta militar ¼ dos assentos no parlamento.

Suzanne DiMaggio vice-presidente dos Programas Políticos Globais na Asia Society diz que apesar da Liga Nacional para a Democracia representar um desafio para o parlamento, esta sua vitória ainda é relevante.

“Agora em particular, temos pelo menos o início das vozes da oposição no parlamento – vozes credíveis da oposição – e penso que é o começo de algo que vai crescer.”

DiMaggio disse que os resultados das eleições mostram que é tempo para o governo americano considerar o levantamento de sanções económicas contra a Birmânia.

Os Estados Unidos da América e a União Europeia entre outros restringiram as trocas comerciais com a Birmânia por causa dos abusos dos direitos humanos. O comissário de comércio da União Europeia disse hoje que se as eleições forem provadas como livre e justas os governos dos 27 Estados membros poderão considerar a supressão das sanções durante os encontros a ter lugar em Bruxelas no próximo dia 21 de Abril.

A divulgação oficial dos resultados definitivos destas eleições, vai levar ainda alguns dias.

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