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Crise líbia: Perigo de contágio na África subsaariana

  • Eduardo Ferro

Crise líbia: Perigo de contágio na África subsaariana

Crise líbia: Perigo de contágio na África subsaariana

Os confrontos na Líbia poderão provocar o êxodo de muitas pessoas desde meros refugiados até mercenários e militares

Os confrontos na Líbia poderão provocar o êxodo de muitas pessoas, desde meros refugiados até mercenários e militares, em direcção aos países situados a sul. Contudo, salientam muitos analistas, aqueles países não têm condições de acolhimento.

A cidade de Dirkou no deserto do Níger situa-se a mais de 1.600 km da costa líbia onde os rebeles apoiados pela NATO lutam contra as forças governamentais.

Contudo aquela cidade de poucos recursos poderá debater-se com uma crise humanitária se os confrontos alastrarem para o sul da Líbia.

Prevê-se com efeito que vagas de mercenários e de desalojados se desloquem para cidades tais como Dirkou através de toda a região do Sará. Segundo Jeremy Keenan, um especialista britânico em assuntos africanos, nenhum dos países vizinhos tem capacidade de resposta para um tal afluxo.

A principal preocupação, diz Keenan, são os mercenários. Segundo ele, Gadhafi contratou alguns milhares de mercenários da África subsaariana e o seu exército inclui igualmente cerca de 10 mil homens de comunidades nómadas tuaregues provenientes não só da Líbia como também do Mali, Níger, Chade e Burkina Fasso.

Se Gadhafi cair, afirma Keenan, esses homens só terão uma alternativa, regressar a casa: “ poderemos ter entre 10 a 15 mil tuaregues armados e com experiência de combate em países politicamente instáveis. Não é preciso ter muita imaginação para especular que eles podem física e militarmente apoderar-se sem grande dificuldade da zona centro do Sará e do norte do Sahel.”

O Sará já era antes desta crise uma região instável. A ala regional da organização terrorista al Kaida, a al-Kaida do Magrebe Islâmico, facturou milhões de dólares raptando funcionários e turistas ocidentais e exigindo elevados resgates.

A região é igualmente atravessada por traficantes de drogas levando cocaína da América Latina para a Europa.

Mas, segundo alguns analistas, ainda mais ameaçadora para a região do que os mercenários, os terroristas e os traficantes de drogas, é a possível vaga de desempregados.

David Shinn, o antigo embaixador americano na Etiópia, acha que são exageradas as estatísticas relativas aos mercenários e acrescenta que está mais preocupado com o possível regresso aos países de origem dos muitos emigrantes africanos na Líbia.

Shinn refere que cerca de 20% dos cinco milhões de habitantes da Líbia são trabalhadores emigrantes subsaarianos: “ alguns deles já deixaram o país,mas, muitos outros ainda lá se encontram visto que não conseguiram escapar. À medida que forem saindo irão aumentando o rol dos desempregados nos países de origem”.

Shinn salienta também que as economias daqueles países podem também sofrer com outra consequência da guerra na Líbia.

Gadhafi e o seu governo controlam milhares de milhão de dólares em investimentos através de África, desde hóteis, bombas de gasolina, quintas, telecomunicações e companhias mineiras.

Se o líder líbio cair, diz Shinn, todos esses negócios correrão o risco de desaparecer.

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