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Timor Leste: Indonésia apoia adesão de Dili a ASEAN


Primeiro-ministro timorense Xanana Gusmao e o presidente indonésio Susilo Bambang Yudhoyono pouco antes de uma audiência em Jacarta na semana passada

Primeiro-ministro timorense Xanana Gusmao e o presidente indonésio Susilo Bambang Yudhoyono pouco antes de uma audiência em Jacarta na semana passada

Disputas que marcaram o processo de independência parecem ultrapassadas e Jacarta quer apoiar o desenvolvimento timorense

O apoio incondicional da Indonésia a integração do Timor Leste na Associação das Nações do Sudoeste Asiático, reforça os laços entre os dois países que há uma década estavam em disputa por causa da independência.

De acordo com os especialistas, interesses económicos e as evoluções democráticas e geopolíticas ajudaram bastante a ultrapassar as divergências.

O porta-voz do ministério indonésio dos negócios estrangeiros Michael Tene usa a palavra “vizinho” para descrever o estatuto de igualdade e do relacionamento cada vez mais forte entre Timor Leste e a Indonésia que acaba de dar o seu aval a entrada de Dili na Associação das Nações do Sudoeste Asiático – ASEAN.

“Timor Leste é o nosso vizinho, e como sempre, temos que trabalhar juntos enquanto bons vizinhos. E existem várias ocasiões em que os interesses da Indonésia e de Timor Leste estão sobre a mesa.”

Foi há apenas uma década que as relações entre os dois países vizinhos começaram a se normalizar. Em 1975 durante o governo militar do presidente Suharto, militares indonésios assumiram o controlo de Timor Leste conferindo-lhe então o estatuto de província, numa ocupação desta antiga colónia portuguesa que viria durar 24 anos.

Em 1999 após a queda de Suharto a Indonésia aceitou a independência de Timor Leste através de um referendo. As Nações Unidas apoiaram o processo, que viria a ser marcado pela matança de cerca de 1400 pessoas por milícias apoiadas com apoio da Indonésia.

Dewi Fortuna Anwar era em 1999 a porta-voz do então presidente indonésio Habibie, que aceitou a auto-determinação e a posterior independência de Timor Leste. Hoje ela é directora de pesquisas no Instituto Habibie, e diz que ambos os países estavam em transição para a democracia, e que em 2002 as relações entre Dili e Jakarta já estavam em vias de normalização.

“Imediatamente após a transferência do poder das Nações Unidas para Timor Leste, a presidente indonésia Megawati foi assistir as celebrações em Dili e o processo de reconciliação começou realmente a partir do inicio de 2002. E desde então, Jakarta e Dili têm trabalhado arduamente para fazer esquecer o passado.”

Dewi Anwar sublinha ainda que o facto de Timor Leste não ter sido uma colónia holandesa, foi um elemento importante de distinção na mente da maioria de indonésios, e um factor racional para a aceitação da independência.

Timor Leste que é um país pobre de aproximadamente um milhão de habitantes, congratula-se com o apoio da Indonésia a sua integração na Associação das Nações do Sudoeste Asiático, sem no entanto esquecer o passado.

Lan Shaow Tai um especialista em questões dos direitos humanos e que trabalha com o governo timorense diz que apesar do reforço dos laços económicos, nada tem impedido ao Timor Leste em exigir a justiça pelos crimes cometidos no passado.

Os dois países fazem parte de uma Comissão de Verdade e de Amizade encarregue de investigar as atrocidades cometidas pela Indonésia, pese embora alguns grupos dos direitos humanos têm afirmado que os poderes dessa comissão em investigar e levar a justiça os actores de tais actos serem demasiadamente limitados.

Alguns países da região, como o Singapura têm citado a falta de progressos em Dili para se opôr a sua adesão a Associação das Nações do Sudoeste Asiático, mas a Indonésia reconheceu que ser membro da organização, seria uma ajuda para o desenvolvimento do Timor Leste.

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