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EUA: Morte de adolescente negro alimenta protestos de afro-americanos

  • Chris Simkins

Milhares de pessoas aderiram aos protestos e marchas por todo o país para denunciar um suposto crime de ódio racial

Continuam os comícios de protestos e marchas por todo o país apelando ao julgamento de George Zimmerman cidadão de origem latina e autor de um alegado homicídio contra um jovem-adolescente afro-americano, há um mês na Florida.

A polícia até então não acusou o suspeito de crime, que parece não dispor de uma defesa irrefutável e o departamento da justiça está a investigar possíveis casos de crimes de ódio racial em conexão com este caso.

Além da intervenção do departamento da justiça americana para investigar as circunstâncias da morte de Trayvon Martin, também o FBI está a proceder pesquisas das partes implicadas no processo, inclusive do procurador do Estado da Florida, quem foi afastado da supervisão do caso, assim como de outros agentes judiciais entre os quais os polícias.

Além disso, o grande júri do Estado da Florida prevê reunir-se no próximo dia 10 de Abril para analisar igualmente todas as provas até então recolhidas pelas investigações.

Segundo fontes próximas do caso, novos detalhes foram tornados públicos e tendencialmente favoráveis a Geoger Zimmerman que diz ter disparado a queima-roupa contra Trayvon Martin em autodefesa durante uma disputa na noite do incidente.

Craig Sonner é advogado da família Zimmerman:

“George Zimmerman sofreu fracturas do nariz e teve um ferimento na parte traseira da cabeça. Ele foi alvo de um ataque de Trayvon Martin naquela noite.”

Joe Oliver, um outro amigo do acusado, diz que Zimmerman contou-lhe o mesmo.

“Trayvon foi atrás do Zimmerman perguntar-lhe o que se passava…se tinha algum problema. Depois da resposta do George, “Não, eu não tenho problema,” como fez saber através do seu telefone, foi daí que Trayvon o atacou a sangue-frio (dando-lhe um murro).”

O incidente teve lugar na noite do dia 26 de Fevereiro. Registos da conversa telefónica entre o suspeito que por sinal é guarda num complexo residencial de Stanford na Florida e um operador da polícia, indicam que Trayvon foi abordado por George Zimmerman pouco depois de ter dito ao agente da ordem que a vítima tinha ar de suspeito e que parecia estar implicado em acções de droga.

Durante a conversa o agente policial pediu a Zimmerman para não perseguir o adolescente, o que não terá sido acatado.

Joe Oliver diz que o seu amigo Zimmerman tem sido desde então um homem desfeito.

“George não tinha intenção de tirar vida a ninguém. Ele tem chorado durante dias, depois do ocorrido.”

A polícia não acusou e nem prendeu George Zimmerman pelo crime porque a lei de auto-defesa da Florida confere as pessoas o direito de defender-se recorrendo ao uso letal da força.

A morte de Trayvon Martin despoletou contudo, uma onda de protesto nacional. Muitos dos manifestantes decidiram vestir capuchos em memória do jovem-adolescente de 17 anos que na noite do crime fazia-se trajar de capuz o que segundo uma certa interpretação regional é traje de bandidos ou membros de gangs.

O incidente galvanizou um imenso movimento de solidariedade a escala nacional e os manifestantes afirmam que vão continuar com os protestos para demonstrar a sua fraternidade para com o malogrado Trayvon Martin.

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