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Etiópia e Eritreia à beira (de novo) da guerra?

  • Peter Heinlein

Etiópia e Eritreia estiveram em guerra aberta durante 2 anos nos finais dos anos 90 e até hoje esse conflito maném-se latente em torno de disputas territoriais

Etiópia e Eritreia estiveram em guerra aberta durante 2 anos nos finais dos anos 90 e até hoje esse conflito maném-se latente em torno de disputas territoriais

Governo eritreu nega a acusação de dar guarida a um grupo rebelde que ataca alvos na vizinha Etiópia

O ataque militar recente da Etiópia contra a Eritreia abriu uma nova fase na “guerra por procuração” ao nível dos países do Corno de África.

Peter Heinlein da VOA em Adis-Abeba reporta que actualmente as atenções estão centradas em torno de um pequeno e conhecido grupo rebelde que alegadamente tem-se envolvido em ataques para lá das fronteiras territoriais.

A tensão subiu na semana passa na fronteira comum entre a Etiópia e a Eritreia quando tropas etíopes atacaram e destruíram o que diziam ser uma base militar no território eritreu.

O porta-voz do governo etíope justificou a acção militar como uma retaliação contra um sombrio grupo rebelde responsável pela morte e rapto de turistas europeias há dois meses na região de Afar na Etiópia.

“Os postos foram atacados por terem sido usados como centro de instrução pelo governo eritreu, assim como uma guarnição para esses grupos subversivos.”

Analistas admitem que este incidente é o primeiro de um ataque para lá das fronteiras das fronteiras etíopes desde que os dois países deram por fim no ano de 2000 a uma guerra de disputa fronteiriça que durou dois anos. Nesse conflito mais de 80 mil pessoas morreram e a disputa até hoje não ficou concluída.

A Eritreia qualificou a incursão e o ataque militar etíope da semana passada como uma “flagrante violação” destinada a desviar a atenção da ocupação ilegal pela Etiópia de territórios eritreus. Um comunicado do governo de Asmara dizia no entanto que o país não iria ser arrastado de momento para a guerra com o seu maior vizinho.

O governo etíope considerou no entanto o ataque levado a cabo pelas suas forças como uma “resposta proporcional” contra um nomeado grupo que tem vindo a realizar actos terroristas com o conhecimento e aprovação da Eritreia.

O porta-voz do ministério etíope dos negócios estrangeiros Dia Mufti acusou a Eritreia de tentar disfarçar a sua propensão de guerra para com a Etiópia através do uso de grupos rebeldes imaginários.

“Eles têm tentado fugir as responsabilidades responsabilizando algumas organizações pelo acto, organizações duvidosas e insignificantes, que não valem nada na região. Eles têm tentado passar a culpa para uma organização fictícia.”

Até hoje pouco se sabe sobre o grupo rebelde denominado de Frente de Unidade Democrática Revolucionária de Afar ou seja ARDUF. Analistas afirmam que esse grupo ataca ocasionalmente turistas a caminho do vulcão etíope Erta Ale, para depois desaparecer no deserto e aparecer anos mais tarde.

A Etiópia afirma que os membros da ARDUF são treinados e financiados pela Eritreia e a Eritreia diz por sua vez que os etíopes usam os rebeldes como pretexto para justificarem a agressão.

David Shinn antigo embaixador americano na Etiópia e especialista em Corno de África diz ser impossível saber se o grupo rebelde ARDUF é mesmo uma organização real ou um mero instrumento na guerra por procuração entre os dois países vizinhos.

“Não tenho prova de nada. Trata-se apenas de fazer fé no que diz a Etiópia. Ao mesmo tempo, é quase plausível. Do outro lado da fronteira, alguém poderá dizer que a Etiópia igualmente tem uma reputação de apoiar eritreus que se opõem ao regime de Asmara.”

O embaixador Shinn adiantou que o primeiro-ministro etíope Meles Zenawi declarou no parlamento em Abril passado que o seu governo poderia apoiar activamente grupos que procuram derrubar o presidente eritreu Isaias Afwerki. O anúncio de Meles Zenawi veio na sequência de acusações por parte da Etiópia contra a Eritreia pelo seu alegado envolvimento num ataque a bomba em Adis-Abeba durante uma cimeira da União Africana. Uma acusação que a Eritreia negou terminantemente.

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