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Segurança alimentar: Especialistas reunem-se no Quénia procurando soluções

  • Eduardo Ferro

Segurança alimentar: Especialistas reunem-se no Quénia procurando soluções

Segurança alimentar: Especialistas reunem-se no Quénia procurando soluções

Especialistas em agronomia de cinco países africanos e da Austrália reuniram-se recentemente no Quénia para estudar modos de melhorar a segurança alimentar no Leste e no Sul do continente africano.

Especialistas em agronomia de cinco países africanos e da Austrália reuniram-se recentemente no Quénia para estudar modos de melhorar a segurança alimentar no Leste e no Sul do continente africano.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO, afirma que a África ao sul do Sará tem o índice mais elevado de subnutrição do planeta afectando cerca de um terço da população.

O milho é uma das culturas mais importantes para os habitantes daquela zona. No entanto o continente importa 28% do milho de países de outras regiões do globo.

Ajudar os agricultores a aumentarem a produção e a qualidade do milho e das leguminosas é o principal objectivo do programa patrocinado pelo governo australiano e conhecido pela sigla SIMLESA que se desenrolará durante 4 anos.

Cientistas da Etiópia, Quénia, Malawi, Moçambique e Tanzânia estão a efectuar experiências com uma vasta gama de tecnologias para tentar aumentar a produção apesar das secas e das pragas que afectam os seus respectivos países.

Segundo Bekele Shiferaw, o presidente da SIMLESA, entre essas tecnologias encontra-se a introdução de milho de alto rendimento capaz de resistir às secas. Essa variedade de milho tem capacidade para subsistir apesar das flutuações na pluviosidade: “ estamos também a desenvolver um novo tipo de milho denominado milho de qualidade proteica para África. Usamos técnicas convencionais de hibridação de modo a conseguir milho contendo elevados conteúdos de aminoácidos fundamentais para as mães e as crianças.”

Segundo John Dixon, o coordenador para África do Centro de Pesquisa Agrónoma da Austrália, este projecto é fundamental na estratégia para garantir a segurança alimentar. Afirma ele que os cientistas podem criar as novas variedades de milho estudando os marcadores genéticos das plantas: “ os marcadores genéticos são semelhantes aos que são actualmente usados em medicina para determinar o risco de um indivíduo em contrair determinada doença. Do mesmo modo podemos apurar quais são as plantas mais capazes de resistir à falta de água ou às pragas.”

Dixon salientou contudo que não se trata de plantas modificadas geneticamente, visto que não é introduzido material genético estranho numa planta já existente.
Leguminosas tais como variedades de feijão e soja são outra das vertentes da estratégia da SIMLESA para alcançar a segurança alimentar em África
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Visto que as leguminosas são ricas em proteínas, ferro e vitaminas, os cientistas estão a tentar convencer os produtores de milho a plantarem-nas paralelamente nas suas propriedades.

O presidente da organização, Bekele Shiferaw, sublinha que é aqui que a África demonstra o seu tremendo potencial: “ o Sul da Ásia é uma região que importa muitas leguminosas produzidas em África. Muitos pequenos produtores africanos constituem cooperativas e exportam-nas para a Índia, Bangladesh e Paquistão. Existe portanto um mercado para a exportação desses produtos.”

A Etiópia é, por exemplo, um dos principais produtores de grão-de-bico exportando cerca de 60 toneladas por ano para os mercados asiáticos.

O Quénia, o Malawi e a Tanzânia exportam também quantidades significativas de leguminosas para aqueles mercados.

Os cientistas da SIMLESA pretendem igualmente ensinar os fazendeiros a adoptarem técnicas que sejam ecologicamente aceitáveis.

Entre elas a técnica de sementeiras sem lavrar o solo. Essa técnica, usada nos países industrializados, permite que os solos cobertos de resíduos de colheitas anteriores retenham a humidade. Reduz também a erosão e a mão-de-obra necessária para preparar a terra.

Através destas e de outras tecnologias a SIMLESA pretende aumentar em 30% a produção dos pequenos agricultores africanos durante a próxima década.

O programa abrange 500 mil fazendas em 5 países devendo melhorar a segurança alimentar de 3 milhões de pessoas no Leste e no Sul da África.


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