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China restringe movimentos a jornalistas estrangeiros

  • Paulo Faria

Manifestantes em apoio à “Revolução de Jasmim”

Manifestantes em apoio à “Revolução de Jasmim”

As autoridades chinesas restringiram os movimentos dos jornalistas estrangeiros em Pequim, para evitar que cubram quaisquer protestos anti-governamentais. O governo chinês parece estar nervoso sobre o alastramento de protestos que derrubaram e ameaçaram dirigentes do Médio Oriente e do Norte de África nas últimas semanas.

As autoridades chinesas restringiram os movimentos dos jornalistas estrangeiros em Pequim, para evitar que cubram quaisquer protestos anti-governamentais. O governo chinês parece estar nervoso sobre o alastramento de protestos que derrubaram e ameaçaram dirigentes do Médio Oriente e do Norte de África nas últimas semanas.

O governo chinês ameaçou revogar os vistos e expulsar jornalistas estrangeiros que reportem em certas áreas do país sem aprovação prévia.

No domingo passado, cerca de 16 jornalistas estrangeiros foram detidos e incomodados por forças de segurança na área comercial de Wangfujing, em Pequim. Os jornalistas foram lá para documentar um pequeno ajuntamento de pessoas que responderam a pedidos pela Internet para reuniões públicas a fim de apoiarem a “Revolução do Jasmim” no Médio Oriente e apelar por reformas na China. Um jornalista americano foi agredido de tal forma que teve de ser hospitalizado.

A liberdade de expressão na China está já muito reduzida. Redes sociais como o Facebook e o Twitter e muitas estações estrangeiras, como a Voz da América, estão bloqueadas, assim como muitas páginas da Internet de notícias estrangeiras.

Mas desde que os protestos no Médio Oriente e Norte de África abalaram governos de longa data, a China aumentou os esforços para evitar protestos similares.

Gilles Lordet, coordenador de investigações na Ásia dos Repórteres sem Fronteiras, em Paris, disse que a China aumentou o seu controlo sobre os órgãos de informação e as críticas ao governo, desde que o activista de direitos humanos Liu Xiaobo foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz em Outubro:

“Mostra o nervosismo do governo sobre as manifestações, sobre a possibilidade das demonstrações no Médio Oriente poderem ter um impacto numa rede de defensores de direitos humanos, jornalistas e defensores da liberdade de expressão na China. Vemos haver uma política cada vez mais estrita desde a atribuição do Nobel da Paz a Liu Xiaobo em Outubro. A situação no Médio Oriente aumentou o nervosismo do governo nesta matéria.”

O partido comunista da China tem governado o país desde 1949. O último massivo protesto anti-governamental em Pequim terminou num banho de sangue em 1989, quando forças governamentais dispararam contra centenas de estudantes na Praça de Tiananmen. Em 2008, uma rebelião no Tibete foi suprimida pelos militares e em 2009, o governo suprimiu novamente motins na região autónoma de Xinjiang.

A organização Defensores dos Direitos Humanos Chineses, através do seu coordenador Wang Songlian, advertiu quinta-feira para uma “nova onda de forte repressão” na China. O grupo disse que muitos activistas através da China foram presos ou colocados sobre prisão domiciliária por porem em perigo a segurança do Estado e a subversão ao apelarem para uma “Revolução de Jasmim”.

O governo do presidente Hu Jintao tem sublinhado a importância da harmonia social. Tem gasto muito dinheiro em sistemas de vigilância avançados, censura da Internet e outras formas de abafar a agitação social ou dissidente antes de se alastrarem. Alguns analistas políticos dizem que isso torna impossível lançar facilmente um desafio contra o governo.

Uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China disse que o governo de Pequim nada tem a recear e qualquer tentativa para desestabilizar o país não terá sucesso.

Algumas páginas chinesas da Internet no estrangeiro têm apelado por novos protestos este domingo. Contudo, não é claro se cidadãos na China podem ainda ler essas mensagens.

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