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Angola:Bloco Democrático acusa governo de tentar matar o seu secretário-geral

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"Tentaram mata-lo". Filomeno Vieira Lopes depois de receber tratamento a ferimentos recebidos durante manifestação de sábado 10 de Março de 2012

"Tentaram mata-lo". Filomeno Vieira Lopes depois de receber tratamento a ferimentos recebidos durante manifestação de sábado 10 de Março de 2012

Pinto de Andrade diz que vai apresentar queixa às instituições internacionais

O líder do Bloco Democrático de Angola, Justino Pinto de Andrade, diz não ter dúvidas que os indivíduos que agrediram o seu secretário geral tinham a intenção de matá-lo e que com esta atitude o Governo de Angola está a criar condições para um clima de revolta popular.

Em declarações, à Voz da América, Pinto de Andrade disse que a Polícia angolana perdeu toda a credibilidade diante dos cidadãos e que, em face dos acontecimentos deste fim de semana está em curso uma acção política e outra judicial contra o Governo de Angola.

A polícia angolana negou qualquer envolvimento nos actos de agressão aos manifestantes levados a cabo por indíviduos à paisana

A Polícia Nacional angolana prometeu ontem em Luanda que vai investigar as agressões ocorridas sábado em Luanda mas negou que estivesse por detrás da onda de agressões aos manifestantes.

O seu porta-voz Nestor Goubel,disse que os acontecimentos ocorridos sábado de manhã no bairro do Cazenga tinham resultado de um afrontamento de dois grupos com filosofias diferentes e negou que a corporação tivesse usado armas de fogo para dispersar os contendores. Ouça a reportagem dp Venâncio Rodrigues



Pinto de Andrade afirmou também que não acredita na justiça angola, pelo que vai recorrer à justiça internacional.


A manifestação tinha sido convocada pelo autodenominado Movimento Revolucionário Estudantil, e tinha como propósito exigir o afastamento da presidente da Comissão Nacional Eleitoral e a demissão do Presidente José Eduardo dos Santos.


Em Benguela Omunga ameaça mais manifestações


Em Benguela a polícia nacional em Benguela confirmou a detenção de três jovens contestatários que começaram a ser julgados esta segundo feira. Enquanto isso a organização não governamental Omunga ameaça sair as ruas no próximo dia 17 do corrente, para exigir o fim da repressão policial e demissão de Suzana Inglês do cargo de presidente da Comissão Nacional Eleitoral.

Em conferência de imprensa o comandante provincial polícia da ordem publica, superintendente-chefe Carlos Mota, disse que a detenção deveu-se ao facto dos manifestantes terem insistido na realização da manifestação que tinha sido proibida pelas autoridades governativas.

Contudo, em declarações á Voz da América, o advogado dos manifestantes detidos, Francisco Viena, alega que os jovens tinham cumprido com todos os pressupostos legais.

Estão a ser ouvidos pelo tribunal de Benguela, Hugo Calumbo, líder da manifestação na província e mais dois outros activistas.

Refira-se que, a polícia interveio para impedir o arranque da manifestação contra o governo, precisamente no momento em que um representante do Bloco Democrático se preparava para ler um manifesto e cerca 80 jovens concentrados no Largo da Peça gritavam palavras de ordem.

“ Abaixo os corruptos, viva a juventude, abaixo Suzana Inglês, queremos eleições livres e justas, abaixo José Eduardo dos Santos,” gritava a juventude contestaria, acrescentando que “ não vamos admitir que a filha de dos Santos com 17 anos de idade tenha um voo que custa mais de 9 milhões de dólar, ela é gatuna.”

Num comunicado, a Omunga condenou a brutalidade com que o Governo da Província de Benguela tentou impedir a realização da manifestação de sábado passado, em exigência da demissão de Suzana Inglês e de Jose Eduardo dos Santos da presidência da República.


A OMUNGA refere que desde Fevereiro que vem acompanhado e alertado a situação que se vem agravando no que se refere à repressão das manifestações, incluindo prisões arbitrárias, raptos e torturas de manifestantes como ainda o impedimento através de decisões de proibição da realização das mesmas, por parte dos Governos provinciais de Benguela, Luanda e Cabinda.

Alega também ser do conhecimento publico que os responsáveis de tais crimes são identificados e que as vítimas têm apresentado as devidas queixas junto das estruturas judiciárias sem que no entanto se tenha conhecimento da existência de qualquer processo contra os mesmos.

Para a OMUNGA a manifestação é uma das liberdades fundamentais para a construção da democracia e da justiça. Reconhece ainda que, a resistência civil é o mecanismo de participação e de controlo da gestão do bem comum. Ouça a reportagem do António Capalandanda

Entretanto a UNITA condenou as acçoes da polícia contra os manifestantes. Mas ao mesmo tempo teceu uma critica aos organizadores da manifestação por tentarem usar "ameaças e chantagens dirigidas a partidos politicos e aos seus dirigentes".



Ouça a explicação do porta-voz da UNITA, Alcides Sakala

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