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Líbios atacam africanos negros


Mercenário ou imigrante? Um cidadão chadiano caputrado por revoltosos

Mercenário ou imigrante? Um cidadão chadiano caputrado por revoltosos

Há noticias de que trabalhadores negros teriam sido massacrados em Benghazi. Uso de mercenários negros fomenta violência.

O embaixador da África do Sul na Líbia Mohammed Dangor avisou que este país está em risco de ser palco de violência étnica contra africanos negros.

Dangor, que regressou esta semana à África do Sul, disse que milhares de imigrantes vindos da Nigéria, Uganda e Quénia vivem actualmente aterrorizados devido á crescente xenofobia na Líbia.

Desde o começo do levantamento popular na Líbia tem havido acusações de que o regime de Gadaffi tem estado a usar mercenários vindos de diversos países africanos. Países mencionados como sendo fonte desses mercenários são o Níger, Chade e Sudão.

Na internet surgiram mesmo fotografias e vídeos de homens negros ou de pele escura armados, alguns em uniforme e outros sem uniforme. Nas cidades de Benghazi e Al Bayda dezenas de africanos da África subsaariana foram presos pelos revoltosos. O governo chadiano negou que haja cidadãos do país a serem usados como mercenários na Líbia.

Apesar desses desmentidos e do aviso do diplomata sul africano não se pode descartar a possibilidade de mercenários estarem a ser usados pelo regime líbio.
Mas o que também é certo é que as notícias estão a provocar uma onda de xenofobia contra os negros africanos conforme atestado por jornalistas que agora estão nas zonas controladas pelos revoltosos.

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados disse estar cada vez mais preocupada sobre a situação de imigrantes e exilados políticos africanos na Líbia.

“Algumas das notícias que estamos a receber por terceiros são muito preocupantes,” disse uma porta voz da agencia afirmando que a organização recebeu notícias de que africanos negros estão a ser perseguidos por suspeitas de serem mercenários.

Um jornalista norueguês disse que entrevistou um alegado mercenário africano capturado em Al Bayda que lhe disse ser apenas um trabalhador que estava em fuga da cidade por recear pela sua vida quando foi capturado.

Um trabalhador turco que foi evacuado disse que 70 ou 80 chadianos que trabalhavam na sua companhia foram atacados pela população e massacrados.
Em Benghazi cidadãos em revolta atacaram e destruíram um edifício onde viviam 36 cidadãos do Chade, Níger e Sudão.

Tedla Asfaw que escreve para uma agência s de notícias da diáspora etíope escreveu haver notícias que muitos etíopes tinham sido brutalmente agredidos acrescentando que a maior parte dos etíopes na Líbia são refugiados políticos.

A salientar que a Líbia há vários anos que tem um grave problema racial.
No país registaram-se graves incidentes raciais no ano 2000 quando árabes atacaram africanos e ainda o ano passado o conselho de direitos humanos apelou á Líbia para pôr termo a perseguição racial de negros no país.

Há também notícias contudo que alguns africanos na Líbia efectivamente receberam dinheiro e foram enviados para quartéis onde foram armados com ordens para atacar os revoltosos. Isto foi confirmado por alguns desses estrangeiros africanos.

A Liga dos Direitos Humanos da Líbia diz que há actualmente no país cerca de seis mil mercenários dos quais três mil estão em Tripoli.

Na´eem Jeenah director do Centro Africano e Médio Oriente em Johannesburg na África do Sul disse contudo ser difícil saber quantos mercenários há na Líbia mas fez notar que Gaddafi há muito que faz uso de mercenários do Chade, Nigéria, Níger e mesmo da Republica Centro Africana.

Contudo Issaka Souare investigador do Centro de Estudos de Segurança disse duvidar que Gadaffi pudesse ter reagido tão rapidamente á revolta com mercenários.
Souare disse duvidar “da tese de mercenários porque começamos a ouvir falar de mercenários no terceiro dia da revolta”.

“Penso que demoraria algum tempo antes de poderem recorrer a mercenários a não ser que estivesse nas previsões que o exercito não seria leal,” disse.

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