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Guiné-Equatorial: Prémio Obiang um dilema para a UNESCO


Organizações dos direitos humanos consideram o regime do presidente Obiang Nguema como corrupto e intolerante em matéria dos direitos humanos

Organizações dos direitos humanos consideram o regime do presidente Obiang Nguema como corrupto e intolerante em matéria dos direitos humanos

Decisão será conhecida dentro de dias, mas activistas incluindo o sul-africano Desmond Tutu apelam a revogação do galardão

Organizações dos direitos humanos e o Prémio Nobel da Paz, o arcebispo sul-africano Desmond Tutu apelaram a UNESCO para recusar o prémio proposto pelo presidente da Guiné-Equatorial, Teodoro Obiang Nguema.

Lisa Bryant da VOA em Paris, reporta que o pedido acontece numa altura em que as autoridades francesas têm sob investigações os bens e propriedades da família Obiang Nguema em França.

A UNESCO deverá debater nos próximos dias se aceita ou não a proposta do Prémio proposto pelo presidente Obiang Nguema, de recompensa a pesquisas e descobertas no domínio das ciências no valor de 300 mil dólares.

O prémio Obiang Nguema tem suscitado críticas desde o seu anuncio há mais de ano, e alguns actores chegam a considera-lo de uma vergonha, por causa da má reputação do proponente. O presidente equato-guineense é acusado de ser um ditador sanguinário e de governar um país onde o respeito dos direitos humanos não faz parte das virtudes do regime.

O arcebispo sul-africano Desmond Tutu associou-se a um grupo de sete organizações dos direitos humanos incluindo a Human Rights Watch para exigir a rejeição do prémio. Jean-Marie Fardeau é presidente da secção francesa da Human Rights Watch em França.

“É realmente um regime vergonhoso que é responsável por uma série de situações de abuso dos direitos humanos naquele país.”

Apesar de se ter tornado num dos países mais ricos do continente em termos estatísticos em resultado da exploração do petróleo, grande parte da população da Guiné-Equatorial ainda vive em pobreza extrema. Os responsáveis da UNESCO recusam-se no entanto a fazer todo e qualquer comentário sobre a situação, isso enquanto mantém suspenso o debate sobre a adopção ou não do prémio.

Mas Jean-Marie Fardeau acrescenta que alguns países membros da UNESCO desejam que o prémio seja rejeitado de forma a pôr cobro ao carácter intolerante da corrupção e da ditadura da Guiné-Equatorial.

“Não apenas uma visão ocidental. Isso chega da Guiné Equatorial – as pessoas reclamam que o dinheiro tenha sido usado a belo prazer pelo presidente e a sua família. Esse dinheiro é usado nos nossos países, são depositados nos bancos, e existe actualmente uma aparente vontade política em lutar contra esse nível de corrupção.”

A controvérsia em torno do Prémio Obiang Nguema acontece numa altura em que os bens da família do presidente da Guiné-Equatorial estão sob investigações em França. No início deste mês a polícia francesa fez uma busca e apreendeu bens numa residência de Teordoro Obiang Mangue, filho do presidente, que é por sinal embaixador adjunto da Guiné-Equatorial na UNESCO. Em Setembro as autoridades francesas tinham igualmente apreendidos cerca de dezena de carros de luxo pertencentes a família presidencial.

O advogado da família Obiang Nguema disse a uma rádio francesa que essas apreensões violam as leis internacionais, ao mesmo tempo que a família Nguema afirma que a residência em Paris destina-se a funções diplomáticas.

As investigações da justiça francesa fazem parte de um vasto inquérito aos patrimónios e bens de luxo de famílias de vários Chefe de Estados africanos, incluindo o presidente Nguema. As organizações dos direitos humanos afirmam que eles têm usado fundos públicos de alguns países mais pobres do mundo para comprar esses bens pessoais.

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