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Carnaval 2012: Brasileiros organizam uma das maiores festas do mundo


Desfile da Escola de Samba Beija-Flor em 2011

Desfile da Escola de Samba Beija-Flor em 2011

A festa chegou a ser ameaçada pelas greves das polícias no Rio de Janeiro e em Salvador

Os brasileiros iniciam hoje a maior festa do país: o carnaval. Em algumas regiões brasileiras, como a Bahia, a festa conhecida no mundo inteiro já começou na quinta-feira. Mas, é a partir desta sexta-feira que, de norte a sul do país, a música, o samba e a dança contagiam brasileiros e turistas estrangeiros.

O Carnaval de 2012 deve movimentar em todo o Brasil quase seis bilhões de reais, de acordo com o Ministério do Turismo. A movimentação de passageiros, por exemplo, no porto do Rio de Janeiro deve bater recorde. De acordo com a empresa que administra o terminal, devem atracar neste feriado 25 navios de cruzeiro, 11 a mais que no carnaval de 2011.

A festa este ano chegou a ser ameaçada pelas greves das polícias no Rio de Janeiro e em Salvador. No início da semana, no entanto, com o fim das mobilizações grevistas, a tensão deu lugar à folia e o espírito carnavalesco do brasileiro tomou conta do país.

A festa envolve não só quem participa dos tradicionais desfiles de escolas de samba no Rio ou quem segue os trios elétricos na Bahia.

Desta sexta até a próxima quarta-feira, é como se cada brasileiro pudesse assumir uma nova identidade, com ou sem fantasia.

O historiador Loqui Arcanjo explica que esse sentimento que toma conta dos brasileiros nesta época do ano tem fundamentos históricos e culturais. Segundo ele, a festa começou sendo um momento de preparo para um período religioso de muita reclusão, a quaresma.

“Como você está prestes a entrar em um momento de se resguardar, um período de autoconhecimento, o Carnaval virou o tempo de se tornar outro. Você se fantasia, reconstrói a própria identidade. Como você vai ter que refletir sobre o seu ser, a questão da religiosa, você quer extravasar. Os personagens e as fantasias são construídos. Não são só simples fantasias. O significado cultural delas é muito mais complexo,” explica o estudioso.

Nos últimos dias, brasileiros do país inteiro, incluindo das capitais sem tradição de grandes festas de carnaval, como Belo Horizonte , buscam adereços para brincar. Máscaras de políticos e super heróis, praticamente já acabaram, como conta a gerente de uma loja de fantasias, Nádia da Silva. “Já acabaram. Eu acho que o pessoal antecipou esse ano. E nós tínhamos estoque grande de mercadorias, só que, devido ao grande movimento, acabou tudo.”

Nas ruas, a prova de que a festa é democrática é que, não é só quem sai em grandes desfiles que se fantasia, como explica uma moradora de uma pequena cidade do estado de Minas Gerais.

“Eu estou comprando perucas, arcos e gravatas para mim e para a minha irmã. No domingo e na terça-feira, vamos fazer um carnaval tradicional.”

Já os homens, preferem as fantasias de mulheres, para sair em blocos de amigos, como é o caso de Honório Dias, que sai em um bloco da cidade de Nova Lima, Minas Gerais.

“Eu saio vestido de mulher, no bloco dos Sujos, todo o ano. Faço isso desde os seis anos de idade, tudo na brincadeira.”

Jair Dias também cai na brincadeira e quer ser outra pessoa neste carnaval.

“São fantasias diversas. Tem a camisa do bloco e cada um vai com um chapéu e uma máscara. Eu estou pensando em me fantasiar de branca de neve,” conta.

Com ou sem fantasia, quem anda pelas ruas das cidades brasileiras entende que por aqui o carnaval é mania nacional, para os solteiros e casados, como Olegário Silva.

“Eu sempre gostei. Parei um pouco depois que eu casei, mas de uns dois anos para cá, estou levando mulher e filho. Eu tomo a minha cervejinha e pulo também.”

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