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Lixo electrónico: Um negócio africano

  • Paulo Faria

Lixo electrónico: Um negócio africano

Lixo electrónico: Um negócio africano

O aumento de lixo electrónico na África Ocidental, conhecido pela sigla inglesa “e-waste” está a apresentar tanto oportunidades como problemas. O Programa para o Ambiente das Nações Unidas está a propor uma melhor regulamentação para proteger tanto a saúde humana e o que está a ser uma florescente economia em material electrónico reciclado.

O aumento de lixo electrónico na África Ocidental, conhecido pela sigla inglesa “e-waste” está a apresentar tanto oportunidades como problemas. O Programa para o Ambiente das Nações Unidas está a propor uma melhor regulamentação para proteger tanto a saúde humana e o que está a ser uma florescente economia em material electrónico reciclado.
Desde computadores portáteis inoperativos a danificados velhos frigoríficos, o negócio de reciclagem de aparelhos electrónicos na África Ocidental está a crescer rapidamente. Cada vez mais velhos e danificados aparelhos electrónicos estão a ser despachados para África. Pedidos de consumidores têm aumentado em todo o mundo, gerando um massivo fluxo de lixo electrónico – que habitualmente têm um relativamente curto tempo de vida.
Há anos que a África tem sido o recipiente de velhos equipamentos electrónicos importados para o continente para serem renovados, reciclados e outros fins – assim como para despejos ilegais.
Michael Stanley-Jones é um porta-voz das Nações Unidas para assuntos ambientais:
“No Gana, investigadores nossos descobriram que cerca de 70 por cento de todo o equipamento electrónico importado foi usado. Trinta por cento dessas importações em segunda mão não funcionavam. Devia ter sido classificado como lixo. Mas isso e prova de que o regime de importações não é suficientemente robusto para capturar esse trânsito ilegal ou movimento transfronteiriço daquilo que é um produto perigoso.”
Em qualquer grande cidade da África Ocidental podemos ver jovens rebuscando lixeiras e homens recolhendo cobre de velhos fios. Tais bens contêm uma variedade de metais e de químicos – alguns deles químicos e substâncias perigosas tais como mercúrio e chumbo, assim como metais valiosos como ouro, alumínio, cobre e prata.
O valor dessa economia informal é difícil de avaliar, embora as receitas formais e informais das pessoas envolvidas no sector “e-waste” no Gana estejam estimadas entre os 106 milhões e 268 milhões de dólares por ano.
O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) estudou cinco países na região da África Ocidental – Benim, Costa do Marfim, Gana, Libéria e Nigéria – e descobriu que entre 650 mil toneladas e um milhão de toneladas de lixo electrónico doméstico estão a ser agora gerados anualmente.
A Convenção de Basileia do PNUD decidiu formalmente apoiar as oportunidades económicas geradas por tais lixos electrónicos – na condição de tais bens serem desmantelados e reciclados de uma forma correcta.
A Convenção de Basileia desenvolverá um plano de certificação para instalações de reciclagem de lixo electrónico, para garantir que o lixo seja tratado de uma forma correcta e as oportunidades económicas sejam realizadas. Propõe também o fortalecimento do regime alfandegário e de inspecções na África Ocidental.
O Fórum Pan-Africano sobre Lixo Electrónico inicia uma reunião no dia 14 de Março em Nairobi, Quénia, para abordar o assunto.

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