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Egipto: Greve da função pública paralisa país

  • Eduardo Ferro

Egipto: Greve da função pública paralisa país

Egipto: Greve da função pública paralisa país

No Egipto, a junta militar que está a dirigir o país criticou a greve dos funcionários públicos exigindo aumentos salariais na sequência do afastamento do presidente Hosni Mubarak.

No Egipto, a junta militar que está a dirigir o país criticou a greve dos funcionários públicos exigindo aumentos salariais na sequência do afastamento do presidente Hosni Mubarak.
Um porta-voz militar leu um comunicado perante as câmaras da televisão estatal apelando para o termo das manifestações de modo a que o país possa regressar à normalidade.
Milhares de funcionários públicos concentraram-se na praça principal do Cairo exigindo melhores salários. Entretanto os agentes da polícia aderiram à greve e o sector bancário teve que encerrar hoje as suas portas devido à não-comparência dos trabalhadores.
Enquanto isso o activista pro-democracia egípcio, Wael Ghonim ,afirmou que os novos líderes militares lhe prometeram a realização de um referendo sobre a revisão constitucional no prazo de dois meses.
Ghonim, antigo responsável da Google, assim como outros activistas cibernéticos, desempenharam um papel fundamental na organização da vaga de manifestações que levaram à demissão do presidente Hosni Mubarak que se encontrava no poder há 3 décadas.
Os activistas egípcios afirmaram que a junta militar lhe disse que tinha sido criada uma comissão para elaborar a revisão da constituição no prazo de dez dias sendo a nova lei fundamental egípcia apresentada a referendo dois meses depois. A junta militar não confirmou contudo aquelas datas.
No domingos os militares suspenderam a constituição e dissolveram o parlamento, duas das principais exigências dos manifestantes. Anunciaram por outro lado que iriam governar o país durante 6 meses ou até às eleições presidenciais e legislativas programadas em princípio para Setembro.
O levantamento popular no Egipto está entretanto a produzir uma onda de repercussões através do Médio Oriente.
No Irão, forças de segurança dispararam gás lacrimogéneo contra milhares de pessoas que se manifestavam em Teerão em solidariedade com os acontecimentos na Tunísia e no Egipto.
As autoridades iranianas advertiram os líderes reformistas iranianos Mir Hossein Mousavi e Mahdi Karroubi, que convocaram as manifestações, a não as levarem por diante considerando-as como uma conspiração para mobilizar os protestos anti-governamentais do denominado “Movimento Verde”.
Mousavi e Karroubi lideraram as manifestações anti-governamentais do ano passado mobilizando centenas de milhar de pessoas protestando contra a controversa reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad em Junho passado.
Enqunto isso no Iémen grupos da oposição realizaram pelo quarto dia consecutivo manifestações na capital exigindo a demissão do presidente Ali Abdullah Saleh.
Pelo menos um milhar de estudantes universitários desfilou hoje desde a universidade de Sana até ao centro da capital entoando palavras de ordem semelhantes às usadas pelos manifestantes egípcios. Um grupo de apoiantes do presidente Saleh concentraram-se igualmente hoje na capital sendo necessária a intervenção da polícia para manter os dois grupos afastados. O ministro do Interior da Argélia anunciou que o estado de emergência, em vigor desde há 20 anos, será levantado dentro em breve mas criticou paralelamente as recentes manifestações anti-governamentais em Argel afirmando que o país não seguiria os exemplos da Tunísia e do Egipto.
Numa entrevista à rádio francesa “Europa 1”,o chefe da diplomacia argelina Mourad Medelci minimizou o impacto das manifestações anti-governamentais deste fim-de-semana em Argel e noutras cidades do seu país.
Segundo Medelci as manifestações foram obra de uma minoria dos argelinos acrescentando que duvidava que o movimento se ampliasse durante as próximas semanas.
No sábado cerca de 3 mil manifestantes desafiaram 30 mil agentes da polícia de choque em pleno centro da capital exigindo o afastamento do presidente argelino Abdelaziz Bouteflika. Os organizadores das manifestações prometeram entretanto promover mais manifestações todos os sábados.
A Argélia partilha muitas características com o Egipto e a vizinha Tunisia onde levantamentos populares se traduziram pelo afastamento dos respectivos presidentes, ou seja elevado índice de desemprego, descontentamento juvenil e um grande fosso entre ricos e pobres.

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