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SONANGOL aumenta participação na GALP


Prédio da Sonangol em Luanda

Prédio da Sonangol em Luanda

Companhia angolana pode aumentar participação de 15% para cerca de 18%. Negociações levantam problemas políticos. Portugal reticente a uma posição predominante da companhia angolana.

3 Fev 2011 - Depois de vários dias de intensas manobras de bastidores, investidores angolanos deverão aumentar a sua participação na companhia de petróleos portuguesa, a GALP.

Com efeito nos últimos dias tem-se assistido a uma intensa movimentação económica em Lisboa envolvendo representantes da companhia angolana de petróleo Sonangol e representantes da empresária angolana Isabel dos Santos. Manuel Vicente, director da Sonangol, deslocou-se a Lisboa para as negociações.

O objectivo era aumentar a participação angolana na companhia petrolífera portuguesa Galp. Mas para além de difíceis negociações financeiras terá havido também problemas políticos com o governo português a opor-se a que entidades angolanas detivessem uma posição predominante dentro da companhia portuguesa.

Tudo começou quando a companhia italiana ENI quis vender a sua posição de 33,4 por cento na GALP iniciando negociações com a companhia de petróleo brasileira Petrobras. Essas negociações falharam e os angolanos mostraram-se dispostos a substituir a Petrobras.

Celso Filipe, editor executivo do diário português Jornal de Negócios, explicou à Voz da América que a participação angolana na GALP se faz através de uma “holding” com o nome de “Esperanza”. Os accionistas dessa “holding” são a Sonangol e Isabel dos Santos, filha do presidente José Eduardo dos Santos.

A Esperanza tem 45% numa “holding” chamada “Amorim Energia”. Esta holding detém 33,34% das acções da Galp. Isto significa que os angolanos controlavam antes do início das actuais negociações 15% da GALP.

A companhia italiana ENI que detém também 33,34% da GALP quis vender a sua participação na petrolífera portuguesa e iniciou para tal negociações com a companhia brasileira Petrobras.

A Petrobras queria comprar 25% do capital que a ENI tem na Galp. Isto significa que sobraria um pouco mais de oito por cento do capital que a ENI detém na companhia portuguesa. Eram esses 8% que a Sonsangol queria adquirir.

Celso Filipe, editor executivo do Jornal de Negócios, disse que apesar das notícias do fracasso das negociações haverá um acordo em que “os angolanos acabarão por garantir uma presença directa e mais forte na GALP”.

Filipe disse ter havido por parte das autoridades portuguesas “alguns receios” sobre a possibilidade da Sonangol comprar todas as acções da ENI (33,34% da GALP) o que a juntar aos 15 por cento que já têm, daria aos angolanos – aos olhos das autoridades portuguesas – uma posição “demasiado dominante” na GALP, considerada uma empresa estratégica para Portugal.

Isso, disse ele, iria levantar alguns problemas no mundo das empresas petrolíferas devido ao facto da Sonangol “não ser uma empresa cotada” e que em alguns círculos europeus “não tem uma boa reputação”.

“Para além disso a Europa está a debater a regulamentação europeia no sector energético e para Portugal não faria sentido que uma empresa considerada estratégica ficasse nas mãos de um único accionista que, por exemplo, pudesse manipular os preços,” disse aquele jornalista económico.

Para Celso Filipe o governo português quer garantir interesses “equitativos” o que estará de acordo com a visão do primeiro-ministro, José Socrates, de um “triângulo estratégico” envolvendo Portugal, Brasil e Angola.

“Penso que será possível à Sonangol reforçar a sua posição,” disse Filipe para quem um cenário possível é a da Sonangol ficar com 8,34 por cento de forma directa e “ reduzir a participação actual na Amorim Energia”.

“Isso iria permitir que a Sonangol e Isabel dos Santos ficassem com uma participação entre os 18 e os 20 por cento” da GALP, acrescentou.

Isso colocaria a participação angolana quase em paridade com a Petrobras (25%) e Américo Amorim, também com cerca de 25%, para além da participação portuguesa através da Caixa Geral de Depósitos.

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