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Controvérsia rodeia novo presidente da União Africana


Dirigentes africanos reunidos na sede da AU

Dirigentes africanos reunidos na sede da AU

Métodos autoritários de Obiang impediram a adesão do seu país à CPLP

31 Jan 2011 - A eleição do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, para presidir à União Africana está a ser criticada por organizações de direitos humanos.
O presidente da Guiné Equatorial é uma figura controversa que chefia um regime acusado constantemente de repressão e corrupção.

A organização de direitos humanos Human Rights Watch disse que a presidência de Obiang tem sido “um desastre” para a Guine Equatorial. Numa declaração citada pela agência de notícias Bloomberg a organização disse que a Guiné Equatorial é um país marcado pelas violações de direitos humanos e pela corrupção, um país em que os rendimentos do petróleo são desviados “para financiar o estilo de vida luxuoso de uma pequena elite que rodeia o presidente”.

Com efeito, uma outra organização, a Transparência Internacional diz que apenas 10 países têm uma percepção pior de corrupção do que a Guiné-Equatorial.

O Dr. António Gaspar do Instituto Superior de Relações Internacionais no Maputo fez notar que a eleição do presidente da União Africana é feita rotativamente por blocos, sendo esta uma decisão tomada pelos países da África Ocidental. António Gaspar recordou que esta não é a primeira vez que uma figura controversa é eleita para o cargo de presidente da União Africana recordando a presença do líder líbio Muammar Gaddafi na presidência da AU.

Mas o analista moçambicano disse que a nomeação de Obiang terá sem dúvida um efeito negativo na imagem da organização. “Sem dúvida que as organizações de direitos humanos vão reagir negativamente a esta nomeação que pode parecer um prémio para Obiang” disse Gaspar para quem contudo “há muito pouco a fazer” para além de se continuar a criticar e chamar a atenção para a situação de direitos humanos na Guiné - Equatorial.

Outra decisão que poderá ser controversa foi aquela de nomear uma comissão presidencial para se tentar resolver a crise na Costa do Marfim onde a ONU tem afirmado que Laurent Gbagbo deve abandonar o poder cedendo-o ao seu rival Alassane Ouatara que muitos consideram ter ganho as eleições.

A própria África prece dividida sobre a questão com alguns a advogarem a remoção de Gbagbo mesmo pela força, outros a apontarem para o diálogo e compromisso
O analista moçambicano considerou de “problemático” o papel desta comissão havendo apenas uma saída possível, “o compromisso”.

O Dr. António Gaspar disse ainda ser cedo para se ver se a criação deste painel visa encontrar uma forma para se “recuar” ou para se continuar a adoptar uma política de “mão dura” em relação a Laurent Gbagbo. Gaspar disse que tudo indica que a decisão do painel poderá ter um “carácter obrigatório” para todos os países membros.

“Não sei se isso vai adiantar alguma coisa ou não mas esta decisão da União Africana indica que quer encontrar uma saída no compromisso e por definição isso significa aceitar aquilo que muitos não querem aceitar,” acrescentou.

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