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Egipto: Manifestantes aumentam pressão sobre o governo de Mubarak

  • Eduardo Ferro

Egipto: Manifestantes aumentam pressão sobre o governo de Mubarak

Egipto: Manifestantes aumentam pressão sobre o governo de Mubarak

Dezenas de milhar de egípcios continuam concentrados na praça principal do Cairo desafiando pelo quarto dia consecutivo o recolher obrigatório decretado pelo governo.

Dezenas de milhar de egípcios continuam concentrados na praça principal do Cairo desafiando pelo quarto dia consecutivo o recolher obrigatório decretado pelo governo. Os manifestantes querem por termo a 30 anos do regime do presidente Hosni Mubarak.
Debaixo da vigilância de helicópteros sobrevoando a capital egípcia, o movimento de contestação ao presidente Hosni Moubarak apelou para uma greve geral a partir de hoje.
Os organizadores apelaram também para a realização, amanhã, de uma marcha de um milhão de pessoas no momento em que se completa uma semana de protestos antigovernamentais sem precedentes.
Enquanto isso, a imprensa estatal anunciava que o presidente Mubarak nomeou novos ministros do interior e das finanças na sequência da remodelação governamental do fim-de-semana passado. O antigo director do sistema prisional, o general Mahmoud Wagdy substitui Habib Adly no ministério do Interior. Muitos egípcios exigiam o afastamento daquele último depois dos confrontos entre a polícia e os manifestantes que se saldaram por dezenas de mortos.
A polícia já voltou entretanto às ruas das cidades egípcias tendo aparentemente ordens para se limitar a operações policiais de rotina e para não confrontar os manifestantes.
No Cairo têm-se registado nestes últimos dias vários actos de pilhagem e muitos residentes decidiram constituir grupos de vigilantes para defender as suas propriedades. Quanto ao exército está também a aumentar a sua presença nas ruas da capital montando guarda a instituições financeiras e a edifícios governamentais.
O levantamento popular no Egipto começou de um modo espontâneo. Contudo, o movimento deu ontem um importante passo em termos de organização quando o grupo clandestino “Irmandade Muçulmana” anunciou o seu apoio ao destacado defensor da democracia no Egipto, o antigo director da Agência Internacional de Energia Atómica, Mohamed el Baradei.
Uma nova coligação da oposição que inclui aquela organização islâmica, pediu a el Baradei que formasse um novo governo e que entrasse em negociações com os militares.
Ontem, perante uma multidão de cerca de 5 mil pessoas reunidas na Praça Tahrir no Cairo, El Baradei apelou à construção de um novo Egipto onde cada cidadão “possa viver em liberdade e dignidade”.
Outro orador foi o dirigente da “Irmandade Muçulmana”, Essam el-Erian, que conseguiu escapar da prisão onde se encontrava, depois dos ataques de populares contra estabelecimentos prisionais que se saldaram pela libertação de milhares de prisioneiros através de todo o país.
Sucedem-se entretanto as reacções internacionais. A União Europeia apelou ao presidente Mubarak para que respondesse às “preocupações dos manifestantes” e levasse a cabo conversações com a oposição. Quanto ao presidente americano Barack Obama, apelou para uma “ transição ordeira” para um governo que responda melhor às aspirações egípcias.
Por seu turno, o governo israelita afirmou que estava a seguir atentamente o desenrolar da situação fazendo votos para que permanecessem as relações pacificas entre os dois países.
Enquanto isso, milhares de turistas continuam retidos nos aeroportos aguardando a possibilidade de deixarem o Egipto. Vários países estão já a planear o envio de aviões para o Cairo de modo a evacuar os seus cidadãos.

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