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Anciãos Igbos apelam o regresso ao sul dos membros das suas comunidades


Uma mulher percorre as ruínas dos ataques coordenados de 20 de Janeiro da Boko contra as estações de polícia e edifícios governamentais no norte da Nigéria

Uma mulher percorre as ruínas dos ataques coordenados de 20 de Janeiro da Boko contra as estações de polícia e edifícios governamentais no norte da Nigéria

A medida visa responder a violência sectária da Boko Haram no norte da Nigéria que já fez várias centenas de mortos

Na Nigéria a etnia Igbo está a levar a cabo a evacuação em massa de mulheres e crianças do Norte do país devido a violência imposta pela seita radical islamica Boko Haram.

Jane Labous da VOA em Dacar reporta que os anciãos da comunidade Igbo estão a apelar as famílias a residir no norte a abandonarem imediatamente a região e regressarem à casa no sul, evitando assim a morte ou outras formas de ataques.

Numa série de encontros no último fim-de-semana no Estado de Enugu, os líderes tribais pediram as mulheres e crianças residentes no norte para que viagem ao sul no sentido de minimizar os riscos, isso enquanto os homens poderão ficar para assumir a vigilância dos haveres familiares.

A comunidade Igbo está a construir postos de acolhimentos no sudeste para albergar os retornados do norte. Além de mais os anciãos Igbos têm-se mostrado preocupados e furiosos com a onda de mortes pela seita Boko Haram, e com a incapacidade do governo em neutralizar esse grupo radical.

Uche Okafor um comerciante do leste do país concorda com a decisão tomada por parte de alguns chefes tribais igbos.

“Os anciãos estão a apelar aos nossos irmãos … mulheres e crianças devem regressar a casa, e os homens devem permanecer no norte para defender as suas propriedades. Fazer regressar as mulheres para preservar as famílias. Para preservar a comunidade, caso contrário irão perder tudo. Isso é necessário porque as nações igbos têm sofrido imenso, e não devemos sofrer tanto assim.”

Esta medida segue-se a uma série de ataques coordenados recentemente da Boko Haram, a maioria deles contra postos policiais e edifícios governamentais no dia 20 de Janeiro e no qual morreram cerca de 200 pessoas. Um ataque a bomba contra uma igreja cristã no dia do Natal tinha provocado mais de 30 mortos. Esses ataques vêm alimentando receios de uma guerra de religião na Nigéria.

Mas nem todos concordam com a evacuação em massa dos Igbos do norte para o sul. Alguns governadores estaduais, políticos e outras personalidades no sudeste do país, criticaram o processo considerando os apelos dos anciãos tribais como desnecessários.

Ijelle Anthony Chigbo é um dos representantes da nação igbo e director executivo de uma empresa em Abuja. Falando para a Voz da América Chigbo diz que os igbos deviam permanecer no norte e continuar a fazer as suas vidas dentro da normalidade.

“Aquelas pessoas que fizeram esses apelos não representam a liderança do povo Igbo. Não se trata de um apelo legítimo. Algumas pessoas têm tentado exacerbar emoções, mas acredito que o que está a acontecer não é uma guerra religiosa, mas sim um protesto político pela forma como o encaramos. O governo está a fazer de tudo para resolver esta questão.”

Outros intervenientes afirmam que todos os cidadãos nigerianos devem ser protegidos, enquanto outros expressam receios de uma fragmentação do país.

Alguns especialistas sugerem contudo que a Boko Haram é apenas uma outra forma de manifestação da raiva pública contra a corrupção no governo e a pobreza não obstante a riqueza do petróleo, e também contra os grandes aparatos de segurança que têm agido em completa impunidade.

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