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Tragédia no Rio expõe problema de construções irregulares no Brasil


Tragédia no Rio expõe problema de construções irregulares no Brasil

Tragédia no Rio expõe problema de construções irregulares no Brasil

Obra irregular é a causa mais provável da queda de prédios no Rio de Janeiro

Os desabamentos de três prédios no centro do Rio de Janeiro evidenciam a falta de controlo e fiscalização de obras e reformas de construções no Brasil. Os edifícios que desabaram, na quarta-feira (25), em uma das capitais brasileiras mais conhecidas no mundo tinham 20, dez e quatro andares. Uma obra irregular no prédio maior pode ter jogado as três edificações no chão.

Apesar de estarem no centro histórico do Rio de Janeiro e terem sido construídos no século 20, as edificações não eram tombadas pelo Património Histórico. Elas não faziam, portanto, parte do grupo de prédios revitalizados, que passam por planos de conservação do governo.

Se a real causa do acidente no Rio tem relação com obra irregular, só o tempo e as investigações vão dizer. Certo é que o problema das construções e reformas sem critérios e acompanhamento técnicos devidos é uma realidade já comprovada no Brasil.

A falta de fiscalização de construções e reformas sem projectos, como estava acontecendo no prédio de 20 andares no Rio, tem provocado problemas em vários outros Estados. Só no mês de Janeiro, um prédio desabou, matando uma pessoa, e outro foi demolido depois de quase partir ao meio e arrastar outras construções em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.

Em todos os casos, as investigações mostram que a ausência de acompanhamento técnico gerou ou não identificou problemas antes que o pior acontecesse. Para Clemansour Chiab Saliba Júnior, director técnico do Instituto Brasileiro de Avaliação e Perícias de Engenharia (IBAPE) falta no Brasil lei que obrigue a inspecção predial anual para verificar condições dos imóveis. Em algumas cidades a lei chegou a existir, mas foi revogada.

“Temos que fazer isso assim como levamos o nosso carro na oficina a cada “tantos” mil quilómetros. Assim como vamos ao médico anualmente fazer exame geral, temos também que procurar especialistas que entendam das doenças nas construções para avaliar se elas são graves. Se forem, precisam ser tratadas imediatamente para evitar um risco maior.”

Para Ivan Libânio Viana, presidente da Associação Brasileira de Mecânica, esse problema não é só do Brasil e pode levar a tragédias, a curto e longo prazo. Ele pede conscientização dos brasileiros para os riscos. “A pessoa não deve tomar essa medida sem consultar um engenheiro sem ter a planta do apartamento. Às vezes, em caso de prédios mais antigos, como é o caso do Rio, não sei se quem foi fazer a reforma tinha essas plantas,” alerta. “Na dúvida, se não sabe como foi feito não deve mexer. O que está estável há 40, 50 anos, só dá problema porque alguém mexeu e fez errado. Essa é a dedução até agora, ” orienta.

A região da tragédia no Rio de Janeiro concentra diversos prédios históricos da cidade. O Secretário Municipal de Conservação e Serviços Públicos do Rio, Carlos Roberto Osório, afirmou que toda a região foi inspeccionada e um dos prédios mais importantes, o Theatro Municipal, não sofreu danos. O Theatro foi o palco do discurso do presidente Barack Obama na passagem pelo Brasil, em 2011.

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