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África Subsaariana tem mais empregos, mas não são "decentes"


Continente africano registou tendencia positiva mas não qualitativa no crescimento do mercado de emprego durante 2011

Continente africano registou tendencia positiva mas não qualitativa no crescimento do mercado de emprego durante 2011

OIT lançou o relatório mundial sobre o emprego e diz ser necessário 600 milhões de novos postos de trabalho no mundo

A Organização Internacional do Trabalho disse que o mundo tem a urgência na criação de 600 milhões de postos de trabalho com vista a garantir a produtividade nos próximos dez anos.

A OIT considera que esses novos empregos são necessários para assegurar o crescimento sustentável após 3 anos de sucessivas crises no mercado mundial de trabalho.

Joe de Capua do Serviço Inglês para África da VOA entrevistou uma funcionária da OIT para falar dos novos desafios em matéria de emprego.

A Organização Internacional do Trabalho diz que o ano de 2012 começa com o mundo a enfrentar um “sério desafio em matéria de emprego e o alastramento do défice de trabalhos decentes.” A OIT acaba de publicar o seu relatório anual: Desafios do Emprego Global 2012: prevenir uma profunda crise de trabalho.”

O documento indica haver um défice de 200 milhões de postos de emprego actualmente, e que mais 400 milhões novos postos de trabalho são necessários nos próximos dez anos no sentido de evitar a subida de desemprego.

Dorothea Schmidt é especialista em emprego da OIT no Cairo.

“O ano de 2011 em termos de emprego não foi um bom ano. Ainda não recuperamos da grande crise económica e financeira no que toca a criação de emprego. Todas as sucessivas crises que vivemos em 2011 fizeram acentuar ainda mais a crise no mercado de trabalho.”

Os jovens continuam a ser o grupo populacional mais afectado. Cerca de 75 milhões de jovens entre os 15 e 24 anos foram desempregados em 2011, totalizando um aumento de mais de 4 milhões de pessoas desde 2007. A funcionária da OIT diz que os jovens sãos os últimos no acesso ao mercado de emprego e os primeiros a serem despedidos.

“Isso tem a ver com a falta de experiencia. Também está em relação com a falta de respeito que as pessoas têm para com os jovens porque pensam que eles nem sempre estão prontos para fazer um bom trabalho.”

Também é verdade que os trabalhos disponíveis muitas vezes não estão de acordo com o treino e a experiencia que os jovens tiveram até ao momento do recrutamento.

A África Subsaariana tem entretanto sobrevivido da melhor forma em relação a muitas outras regiões do mundo durante a recessão. Mas Dorothea Shmidt diz que apesar disso o crescimento económico nessa região não tem traduzido numa melhoria ou ao surgimento de empregos mais decentes.

“Se olhar para a taxa de crescimento do emprego de muitos países da África Subsaariana, esse crescimento só se regista no mercado informal. E é exactamente o sector que não cria empregos decentes.”

Shmidt concluiu dizendo que a maioria das pessoas da África Subsaariana ainda continua a trabalhar na agricultura. Muitos até são membros de famílias sem salários fixos, numa região onde existe uma alta taxa de empregos degradantes.

A Organização Internacional do Trabalho descreve por outro lado que a África do Magreb é uma das piores regiões do mundo para obtenção de emprego por parte jovens raparigas. Dorothea Shmidt aponta o dedo as tradições culturais como uma das causas desta situação e particularmente ao preconceito que tem do eita em relação ao emprego de mulheres.

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