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Egipto ensombra ditaduras africanas


Omedo dos ditadores - o poder na rua

Omedo dos ditadores - o poder na rua

Sudão pode ser o país africano que vai sentir mais a influência da revolução egipcia

3 Fev 2011 - A África sub – saariana tem-se mantido até agora imune às revoltas que eclodiram na Tunísia e no Egipto.

Mas agora, alguns peritos afirmam que a situação nesses países do norte de África poderá ajudar a quebrar a barreira do medo que mantém algemados povos sob dominação ditatorial.

O norte de África sempre foi considerado de algo diferente da África sub - saariana. Racial e culturalmente e, mesmo, historicamente esses países estão mais ligados ao resto dos países Árabes do que à África sub - saariana.

Mas apesar dessa separação muitos na África sub – saariana seguem com interesse a situação no Egipto discutindo as suas implicações para o resto do continente.

O professor Innocent Chukwuma de uma organização de direitos humanos na Nigéria disse que no seu país a situação no Egipto está a ser debatida e as pessoas estão particularmente interessadas no impacto que isso poderá ter no resto de África.

Para o professor Chukwuma os dirigentes ditatoriais africanos, como Robert Mugabe do Zimbabwe, deviam preocupar-se com a situação no Egipto.

“Esses dirigentes estão tão preocupados como qualquer outro dirigente em qualquer parte do mundo que negou ao seu povo reformas políticas. Com o aumento da crise económica é apenas uma questão de tempo antes de esses povos começarem a colocar perguntas difíceis,” afirmou.

Richard Downie um perito em questões africanas do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, aqui em Washington, disse por seu turno à Voz da América que a situação no Egipto terá um impacto no resto do continente.

“Penso por um lado que dirigentes autocráticos – e há muitos deles na África sub - saariana – estão a olhar com horror para o que se passa no Egipto e o que se passou na Tunísia,” disse Downie.

“Por outro lado os povos nesses países poderão estar a olhar para os seus governos sob uma nova luz e a pensarem que os seus governos não são assim tão fortes e seguros como pensavam. Isso poderá encoraja-los a intensificarem a sua oposição,” acrescentou.

Contudo alguns peritos e analistas têm vindo a afirmar que a situação no norte de África não é em nada semelhante à da maioria dos países da África sub saariana. A falta de uma classe média forte em muitos países africanos e de uma tradição de uma sociedade civil faz com que seja difícil na África sub - saariana haver uma oposição eficaz aos regimes autoritários.

Mas o professor Innocent Chukuwa discorda afirmando que há muito que se tenta dividir as sociedades africanas e que isso não poderá continuar. “Não se pode continuar a negar às pessoas os seus direitos e esperar que estes aceitem isto para sempre,” afirmou.

Richard Downie disse que, na sua opinião, o país mais susceptível a um levantamento como aquele que ocorreu na Tunísia e no Egipto é o Sudão que se alastra entre o norte de África e a África sub – saariana.

Depois de recordar que o país se vai dividir entre o norte e o sul Richard Downie fez notar que o Sudão “tem tido muito estreitas relações com o Egipto” e que “o regime irá ter dificuldades em lidar com as implicações daquilo que se passa no Egipto”.

“Já vimos sinais disso em Cartum com um aumento da oposição e manifestações e protestos contra os preços dos alimentos e penso por isso que o governo do Sudão do norte é aquele que deve ser seguido com atenção,” acrescentou.


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