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A professora da dança angolana

  • Margaret Nangacovie

A professora da dança angolana

A professora da dança angolana

Danças e máscaras do povo Tchokwe são agora objecto de estudo de Clara Marques

É teimosa, determinada e fiel aos seus ideais. Esses são apenas alguns dos adjectivos que podemos usar quando falamos de Ana Clara Guerra Marques, a bailarina, coreografa, professora de dança e investigadora.

A dança entrou de fininho e aos pouco se instalou. Não teve nada a ver com aquela paixão arrebatadora quando sabemos qual é o nosso destino e o que queremos para nós. Aos 6 anos já dançava, ia as aulas por diversão disciplina e para passar o tempo.


A dança é de facto hoje a vida dessa mulher que aos 15 anos foi convidada a dirigir “A primeira escola de Dança” de Angola independente. Foi um convite sem muitas opções. Na altura, o então secretario de Estado para a Cultura, o escritor António Jacinto, viu em Clara Guerra Marques, a directora ideal.

Foi uma experiência dura e difícil. Não apenas pela juventude mas principalmente por não havia dança contemporânea angolana. Ana Clã conta-nos como foi a experiência.

Mas aos poucos ela mesmo foi tomando mais a sério o trabalho, assim como todos os que a rodeavam. Aprenderam a confiar na jovem bailarina e directora. Assim a dança se instalou na sua vida, seu pensamento e no seu dia-a-dia.


Tornou-se então Mestre em Performance Artística. Hoje está a fazer o seu doutoramento sobre as danças de máscaras do povo Tchokwe de Angola. O que a torna na única investigadora das patrimoniais.


Essa chamada de atenção terá sido como que o sino que despertou a paixão. Ai começou uma história de amor entre as danças de mascaras da Cultura dos povos Tchokwe, localizados mais no leste de Angola e Ana Clara Guerra Marques.


E essa relação apaixonante é hoje a sua vida. E, durante anos alimentou o sonho de ela mesma poder ser uma mascara Tchocwe. Uma ideia que é totalmente contraria a cultura dos povos das Lundas e Moxico. Pois uma mulher não pode ser uma mascara. Só os homens o podem ser. Mas Ana clara conseguiu.


Ana clara que é também e membro individual do Centro Internacional de Dança (CID) da Unesco continua fascinada pelas danças tchocwe e diz que não as vai largar enquanto não perceber muito bem todos os elementos dessa cultura.


Outra tarefa que tem executado como missão é o relançamento da Companhia de Dança Contemporânea de Angola. Em 1991 fundou a primeira e a única que até ao momento existe. Mas, mais de uma companhia. Ana Clara sonha com uma escola básica e superior de Dança em Angola. No entanto é um sonho que há muito tem conhecido os seus inimigos.


Dai e mais um ano, a companhia assinalava a sua primeira data importante. Em 1992, pela primeira vez, angolanos dançavam em Sevilha, Espanha.


Ana clara Guerra Marques fala-nos agora na pele de coreografa. Pelas suas mãos já passaram algumas gerações de angolanos. É um trabalho de 20 anos, que pode ter a sua continuidade na Oficina de Dança que quer montar.


E de facto o publico que conhece dança contemporânea é ainda muito reduzido. A professora Ana Clara diz que a culpa não só da ignorância e falta de interesse.



Outra das suas frentes de batalha é o mérito de pessoas que se apresentam como profissionais, sem qualquer título académico.


Ana Clara Guerra Marques diz que alguns começam a notar as diferenças.


O dia 29 de Abril é já uma data marcada na agenda da companhia de dança contemporânea Angolana. Ana Clara Guerra Marques está expectante para a segunda temporada do seu grupo.



E entusiasmo tem motivo. Ana Clara tem conseguido já o seu espaço e apesar de os resultados não serem já os que deseja, parecem estar a ser aceitáveis para essa exigente professora de dança contemporânea angolana.



E no também conhecido mês da paz em Angola. Ana Clara vai levar aos palcos um tema que tem haver com que chamou de “dissecação social”. As desigualdades entre a maioria pobre e a minoria abastada vai dar vida aos corpos dos bailarinos.


E as roupas são criteriosamente escolhidas.


Esses são por enquanto as ocupações da coreografa Ana Clara Guerra Marques que aproveita o seu tempo livre para visitar praias, mas também aprecia um bom filme.

Gosta de funge mas acha que comer é perca de tempo.

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