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Polícia descobre oito viaturas armadilhadas em Kanu na Nigéria


Em vez de garrafas os membros da Boko Haram têm fabricado bombas a base de latas de refrigerantes

Em vez de garrafas os membros da Boko Haram têm fabricado bombas a base de latas de refrigerantes

Persistem as ameaças à segurança depois dos ataques do último fim-de-semana da Boko Haram na segunda maior cidade nigeriana

Líderes políticos e religiosos nigerianos rezaram hoje pela paz na cidade nortenha de Kanu, após os ataques a bomba que mataram cerca de 170 pessoas.

O Emir de Kanu, Ado Bayero e o governador Rabiu Kwankwaso reuniram-se numa mesquita para juntos rezar e apelar a paz. A cerimónia não teve uma grande adesão do público, pelo facto de muitas pessoas estarem a recear novos ataques.

A polícia descobriu hoje oito viaturas armadilhadas com explosivos na cidade de Kanu.

Desde Sexta-feira a segunda maior cidade nigeriano tem sido palco de ataques reivindicados pelo grupo islâmico Boko Haram. As autoridades locais decretaram o recolher obrigatório de 24 horas.

Por causa desses ataques na região norte, todo o país está em estado de tensão.

Jorge Correia um cidadão santomense a residir na capital nigeriana Abuja, disse a Voz da América que foram reforçados os dispositivos de segurança e as pessoas estão a viver sob o terror.

Entretanto especialistas em questões de segurança na Nigéria dizem que os ataques da Boko Haram são o ponto culminante de más políticas e de impunidade que grassa o país.

Os 160 milhões de nigerianos na sua maioria pobres vivem num país dividido pelo norte muçulmano e o sul cristão, com o desemprego cada vez mais galopante na região norte.

Apesar da gravidade social da crise nigeriana, os especialistas afirmam que o fenómeno da Boko Haram é alimentado pelo extremismo religioso. Os activista dos direitos humanos e especialista das causas da violência política, Damian Ugwu diz que a base de apoio da Boko Haram é composta maioritariamente por jovens desempregados do norte, que acusam o governo de corrupção e roubo dos lucros da industria petrolífera.

“Vejo a Boko Haram como a etapa seguinte a manifestação contra as más políticas e a impunidade na Nigéria. Para mim é uma sociedade onde a riqueza do país estão a ser delapidada por uma elite que não se preocupa com o que acontece no resto do país.”

O governo do presidente nigeriano Goodluck Jonathan qualificou a Boko Haram como grupo fundamentalista islâmico que pretende estabelecer um Estado islâmico no norte do país, e pediu ajuda internacional para o seu combate.

O antigo embaixador americano na Nigéria, John Campbell diz não existir dúvidas sobre a natureza criminosa das relações da Boko Haram com os grupos islâmicos radicais, mas adianta que as estratégias antiterroristas do governo nigeriano podem não surtir efeito.

“O que o governo nigeriano está a fazer é tratar a Boko Haram como um problema de segurança. A meu ver trata-se de um problema mais político, e em vez de focalizar em métodos policiais, devia tentar iniciativas políticas que devem ter um potencial para esvaziar o ímpeto da Boko Haram.”

O presidente nigeriano Goodluck Jonathan visitou ontem a cidade de Kanu depois dos ataques coordenados a bomba de Sexta-feira e Sábado que fizeram 166 mortos.

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