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"Meninos de rua" são tragédia nacional em Angola

  • Esperança Gaspar

"Meninos de rua" são tragédia nacional em Angola

"Meninos de rua" são tragédia nacional em Angola

O fenómeno deriva da destruição das estruturas familiares durante a guerra civil.

Angola: "Meninos de rua" são tragédia nacional

Devido à destruição das estruturas familiares causada pela guerra civil a sociedade angolana em geral e luandense em particular confronta-se no período pós-conflito com ausência da inserção das crianças no seio familiar.

As limitações económicas de muitas famílias angolanas, a falta de controlo da educação, uma vez que passam grande parte do tempo à procura de sustento, é apontada como sendo uma das consequências directas do desaparecimento de crianças na faixa dos 6 aos 14 anos.

“São crianças que passam a maior parte do tempo a brincar na rua, sem a atenção e cuidados dos familiares, e acabam por se perder por não saberem localizar a zona onde vivem,” é o caso de Esmeralda Canguari, de 9 anos e Jaime Cainde, só para citar alguns.

No entanto, esta situação não é a única razão do fenómeno “crianças desaparecidas”, alguns pequenos fogem de casa por maus-tratos verificados no seio das famílias, outras razões estarão na base das frequentes fugas.

Muitas das crianças sem paradeiro são frequentemente encontradas na via pública pelas autoridades políciais e por civis sensibilizados por esta causa. Algumas dessas crianças são acolhidas no lar de infância “Kuzola”.

Na ânsia de encontrar no lar o seu filho, filha ou sobrinho, a instituição recebe diariamente cerca de 10 encarregados de famílias, alguns conseguem encontrá-las, mas, Amélia Teresa, não teve a mesma sorte.

O mesmo aconteceu com, Joaquim Domingos, que desde o dia 10 do corrente ano não vê a sua irmã de 13 anos, que se encontra desaparecida após o passeio pelas ruas da cidade de Luanda.

De acordo com Elisa Sampaio, chefe do departamento pedagógico do lar “Kuzola”, “nos últimos anos, o número de crianças desaparecidas tem aumentado”.
Segundo explicou, depois de serem acolhidas pelo lar “Kuzola”, a instituição encarrega-se de localizar os familiares das crianças com algumas informações que recebem por parte dos pequenos.

Uns conseguem rápida reintegração nas suas famílias biológicas, outras não.

Com objectivo de ocupá-las, as crianças praticam diversas actividades, incluindo a instrução primária e inserção no sistema de ensino público, de modo a possibilitar que nenhuma delas permaneça sem instrução.

Ouça a reportagem da Esperança gaspar.

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