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Congresso Nacional Africano faz 100 anos

  • Paulo Oliveira

Congresso Nacional Africano faz 100 anos

Congresso Nacional Africano faz 100 anos

O CNA foi fundado a 8 de Janeiro de 1912

O partido governamental sul-africano – Congresso Nacional Africano, celebra durante o fim-de-semana o centenário da sua fundação. As festividades abrem um ano de celebrações que devem custar doze milhões e meio de dólares.

O ANC, na sigla inglesa, foi fundado a 8 de Janeiro de 1912, por um grupo de chefes tribais, e representantes de igrejas e grupos da sociedade civil decididos a construir uma organização para lutar pelos direitos dos negros.

Estes direitos incluíam o direito à terra, a liberdade de movimentos e de emprego – que eram recusados aos negros sul-africanos ao abrigo da legislação do governo colonial britânico no poder naquela altura.

Cem anos mais tarde, o Presidente Jacob Zuma vai inaugurar o aniversário de celebrações na mesma pequena igreja, recentemente renovada, na presença da elite política e convidados estrangeiros.

O porta-voz do ANC Jackson Mthembu falou à Voz da América sobre a intervenção de Zuma.

“O presidente vai fazer uma declaração sobre o que foi alcançado durante cem anos, e quais foram os problemas dos últimos 100 anos, quais foram as glórias, e aquilo que esperamos no próximo século”.

De muitas formas a história do ANC no último século tem correspondido ao que foi o país. A organização começou quase como um clube, muito debate, deliberação e, por vezes, discórdia, antes do lançamento, nos anos cinquenta, da chamada Campanha de Contestação.

Grupos de voluntários provocaram a detenção através do desafio às leis restritivas, tal como através da queima das odiadas autorizações de residência e de trabalho.

Em 1961, uma liderança – que incluía Nelson Mandela, Oliver Tambo e Walter Sisulu – constatou que a resistência pacifica tinha fracassado. Convenceram a maioria do ANC a adoptar uma política de luta armada e a formação da ala militar.

Após centenas de actos de sabotagem, como a destruição de postes de electricidade, Mandela e a totalidade da liderança do ANC foi detida ou fugiu para o exílio.

Todos os que opunham ao apartheid, particularmente os negros sul-africanos, ficaram sujeitos a uma opressão sem precedentes. Até mesmo manifestações pacíficas, foram objecto de violência, como no massacre de Sharpeville a 21 de Março de 1960, o levantamento estudantil de Junho de 1976 e o assassinato em custódia policial do activista Steve Biko, em 1977.

O período que se seguiu ao primeiro sufrágio democrático em 1994 – que pôs fim ao apartheid e viu Mandela se tornar no primeiro presidente sul-africano negro – foi marcado por uma euforia tanto por parte do país como dos diferentes elementos que constituem o ANC.

No ano de 2000 tanto o país como o ANC lutavam para manter a coesão e as antigas fissuras raciais começaram de novo a surgir.

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