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"Aproximação do Governo e da Renamo é urgente", dizem analistas moçambicanos

  • Ramos Miguel

A solução de um Governo de gestão, avançada pelo partido de Afonso Dhlakama, foi rejeitada pela Frelimo e pelo próprio presidente eleito, Filipe Nyusi.

Em Moçambique, vários analistas dizem que face à recusa do estatuto de líder da oposição atribuído a Afonso Dhlakama, que exige, em vez disso, um governo de gestão, é fundamental uma aproximação de posições entre o governo e a Renamo, de modo a que o país possa avançar em todas as suas vertentes.

A solução de um Governo de gestão, avançada pelo partido de Afonso Dhlakama, foi rejeitada pela Frelimo e pelo próprio presidente eleito, Filipe Nyusi, afirmando que Moçambique não pode ser cobaia de modelos de democracia.

Para o jurista e analista político, José Machicame, a saída para esta situação passa por um diálogo, realçando que "vai ter de haver uma aproximação de posições de ambas as partes, ou então um dos lados vai ter de fazer cedências para que o país possa avançar em termos políticos e em todas as suas vertentes".

Segundo o analista, a posição da Renamo, na óptica do próprio Partido, é consequência da posição que a Renamo sempre assumiu em relação ao processo eleitoral a de que o mesmo foi fraudulento.

Machicame afirmou ainda que do lado da Frelimo, Partido que tem a tradição de governar com quadros do próprio partido, sem abrir a presença de figuras independentes ou de outros partidos, "penso que a Frelimo está a ser fiel áquilo que é a sua tradição de entender que em democracia governa quem ganha" as eleições.

Há quem considere que a atribuição de um cargo público a Afonso Dhlakama, como, por exemplo, o de um ministro sem pasta no novo Governo possa ser uma saída, mas o jurista José Machicame não acredita que isso possa resolver, "porque a reivindicação da Renamo é no sentido de ter um poder real, que se sinta e nao um poder folclórico".

O jornalista Paul Fauvet diz também não acreditar que Afonso Dhlakama possa aceitar um cargo de ministro sem pasta, mas afirma que o novo Presidente da República vai saber lidar com esta e outras situações.

De referir que no âmbito da sua contestação, os deputados da Renamo eleitos para as Assembleias Provinciais, recusaram-se hoje a tomar posse.

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