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Apesar da crise FNLA vai realizar Congresso em Janeiro


Bandeira da FNLA

Bandeira da FNLA

Três candidatos vão disputar o cadeirão máximo do partido histórico de Angola que há alguns anos vem sendo devastado por uma crise interna.

Apesar das contestações internas, a FNLA vai realizar o seu IV Congresso Ordinário, de 25 a 28 de Janeiro de 2015.

Três candidatos vão disputar o cadeirão máximo do partido histórico de Angola, que há alguns anos vem sendo devastado por uma crise interna que que separou o partido em duas alas: uma liderada por Ngola Kabangu e outra por Lucas Ngonda. Uma situação que na visão do historiador e analista Venceslau Alves está a levar o partido à extinção.

O académico considera as clivagens internas da FNLA como uma “vergonha do ponto de vista histórico” e que denotam em parte a ausência de um projecto de governação para o país, o que faz com que esta força política perca credibilidade.

Lucas Benghy Ngonda, Fernando Pedro Gomes e David Martins foram os três candidatos apurados pela Comissão Preparatória Nacional, o órgão encarregue pela organização logistica e administrativa do conclave.

Ngola Kabango, ex-líder do partido, após a morte do seu fundador Holden Roberto, perdeu há cerca de três anos a legitimidade da presidência da FNLA conquistada por meio de um sufrágio que teve lugar em 2007. A decisão foi do Tribunal Constitucional que, por sua vez, deu legitimidade a Lucas Ngonda para dirigir aquela força política.

A corrida cuja meta é o cadeirão máximo da FNLA começa no dia 10 de Janeiro, quando serão realizadas as campanhas eleitorias.

Em face destas clivagens que reinam no seio do partido, o jurista Pedro Kaparakata considera que do ponto de vista da organização técnico-político a FNLA “já não existe”.

Kaparakata vai mais longe e afirma mesmo que o partido fundado pelo nacionalista Álvaro Holden Roberto nunca esteve bem estruturado “razão pela qual numa única batalha do Kifangondo aquilo se desfez”, explicou.

O jurista salienta que o que está em causa neste partido são interesses financeiros, que em parte deverão apenas beneficiar alguns, com o intuito de evitar revoltas.

O analista Venceslau Alves salienta que a união e o concenso interno seria a melhor saída para FNLA antes da realização do sufragio e sobretudo das eleições gerais de 2017, que poderão “confirmar a extinção do partido”.

Para Alves ao partido dos irmãos falta unidade e dinâmica própria. O historiador advoga a concretização de esforços para luta política a favor da melhoria do bem estar dos angolanos e deixar para o passado a degladiação entre si, que mancha a formação política mais antiga de Angola.

A reactivação das estruturas do partido isto pressupõe que as duas lideranças que separam a FNLA encontrem consenso com maturidade, disse o académico.

Por sua vez Pedro Kaparakata aponta a mão invisível do MPLA nos problemas do partido dos irmãos. Para o analista, faz parte da estratégia do partido governante, manter a FNLA nesta condição, em parte para evitar uma alegada revolta por parte dos seus militantes, cuja grande maioria é antigo combatente.

Kaparakata fala também em interesses pessoais de alguns entre os membros da FNLA como sendo a força que move a vontade de muitos apresentarem-se como candidatos à lider do partido no Congresso de 2015.

O político e nacionalista Ngola Kabangu explicou ao jornal O PAÍS não se ter candidato à liderança do partido no Congresso de Janeiro de 2015, por discordar de alguns pressupostos fundamentais que continuam a ensombrar esta força política. Segundo Kabangu, um desses pressupostos tem a ver com a reconciliação interna.

Na sua opinião, antes de se partir para o conclave, deveria haver “um diálogo franco, aberto, participativo e democrático entre os irmãos desavindos”, para se resolver a crise interna e encontrar uma solução que permita a reunificação do partido, e, em seguida, dar-se os passos subsequentes para a realização do Congresso, declarou.

Kabangu disse ter apresentado uma proposta de diálogo à direcção de Lucas Ngonda, em Setembro deste ano, mas o seu esforço não terá resultado.

O jurista Pedro Kaparakata acredita que na crise da FNLA exista uma manipulação do MPLA, resultante de um aproveitamento. Kaparakata insiste na desagregação e desestruturação interna do partido dos irmãos como sendo um dado adquirido.

Surgimento das clivagens na FNLA

Em Novembro de 2004 a FNLA realizou o chamado“ Congresso da Reconciliação”, ainda na presença do presidente-fundador, Holden Roberto, mas o conclave terminou em fragmentação entre o primeiro e o segundo vice-presidentes saídos deste sufragio. Lucas Ngonda e Ngola Kabangu realizaram conclaves extraordinários entre 2006 e 2007, por divergências dos incumprimentos.

Lucas Ngonda aliou-se aos militantes denominados de reformistas e em 2005 realizou um Congresso em Luanda, durante o qual foi eleito, sem qualquer oposição. O acto foi considerado na altura pelos seguidores de Ngola Kabangu como tendo a mão invisível do MPLA que terá apoiado Ngonda com dinheiro e outras benesses, colocando esta força política como seu “apêndice”.

Dois anos depois Kabangu, com a morte de Holden Roberto, não reconhecendo autoridade em Ngonda à frente do partido, realizou outro congresso, onde venceu nas urnas dois concorrentes, Miguel Damião e Carlinhos Zassala.

Este reconhecimento levou-o a concorrer às eleições de 2008, em detrimento de Ngonda que foi rejeitado por incongruência na documentação apresentada ao Tribunal Constitucional.

Carlinhos Zassala que tinha sido derrotado na corrida à presidência do partido por Kabangu, inconformado com a decisão do Congresso recorreu ao Tribunal Constitucional para impugnar o resultado das eleições. Em resposta o Plenário dos juízes Conselheiros anulou o consulado de Ngola Kabangu, através do acórdão número 110 e recomendou que Lucas Ngonda e Ngola Kabangu primassem pelo respeito às decisões acordadas no Congresso da Reconciliação.

Ngola Kabangu que era o presidente da bancada parlamentar da FNLA, na Assembleia Nacional, achou-se injustiçado pelo Tribunal por isso reucusou concorrer com Lucas Ngonda e Carlinhos Zassala.

Para o historiador Venceslau Alves a crise de liderança do partido dos irmãos favorece o MPLA, partido que sustenta o governo e salienta por outro lado que a oposição contra si mesma feita pela FNLA tira créditos sobretudo da juventude à este partido, o que leva a questionar que partidos da oposição tem o país.

“Está uma ala que o Tribunal Constitucional aceita como legitima, pois segundo o TC é esta ala que reune os requisitos todos exigidos para sua legitimidade, então a outra ala devia procurar formas de aderir a este projecto e terem uma luta comum”, explicou o docente universiatário para mais adiante assegurar que de outro jeito é a própria FNLA que perde.

A situação, na visão do académico dá mais aval ao partido que está na governação.

Alves não acredita numa alegada ingerência do MPLA na crise interna da formação política dos irmãos, por isso, defende que se tal situação for verdade deverá ter sido o resultado de um fracasso interno.

“Não acredito que haja mão do partido que governa. Se é que há mão do partido que governa é porque o partido FNLA não está estruturado. Porque um partido estrturado, um partido organizado, um partido com um projecto de união interna não aceita ingerências externas para sua desestruturação”, assegurou.

O congresso que se espera ser da mudança e de reconciliação parece estar longe deste desiderato. Uma facção deste partido já declarou fraudulenta a convocação do conclave.

“De acordo com os estatutos o congresso deve ser convocado com seis meses de antecedência e o Presidente da FNLA, Lucas Ngonda violou os estatutos ao convocar este congresso”, justificou Miguel Pinto, recém expulso do órgão central daquele partido histórico de Angola.

Venceslau Alves defende uma revisão dos estatutos da FNLA e diz por outro lado que a fragmentação deste movimento político denota que o partido ainda está mergulhado nos meandros da desestrturação.

“Este procedimento da FNLA só está a mostrar que infelizmente não apresenta uma opção e denota que não tem um projecto de governação. Denotam que não estão preparados até mesmo para ser oposição”, salientou.

A solução para crise de liderança da FNLA está na decisão dos memebros partirem para unidade, organização e coesão interna, com o fim único de demonstrarem aos seus eleitores que têm projecto de governação e que têm responsabilidade histórica.

Venceslau Alves entende que a extinção da FNLA, para o partido que sustenta o governo tanto quanto para os da oposição, do ponto de vista da concorrência política e eleitoral pode ser benéfica.

O historiador pensa que o partido fundado por Holden Roberto não está a criar condições para sua continuidade no futuro, já que o número de jovens que abraçam a causa política deste partido é bastante reduzido.

O analista questiona por isso “Quando é que haverá espaço para um jovem, quando é que haverá espaço para ideias novas.

Para o docente universitário “a FNLA não cria condições para uma modernidade, não está a criar condições para continuidade no futuro”.

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