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Angolanos renovam sonhos


Angola, Luanda graffiti.

Angola, Luanda graffiti.

“O meu plano para 2017 é mudar de vida. Arranjar um emprego e ajudar a família”, José Marcelino, jovem que quer ser artista plástico.

O ano de 2016 ficou marcado na história de Angola como um dos piores do ponto de vista económico, em tempo de paz.

A baixa do preço do petróleo no mercado internacional e a escassez de moedas estrangeiras como o Euro e o dólar deram lugar ao aumento considerável dos béns de primeira necessidade.

Muitos angolanos perderam o emprego em consequência do encerramento das portas de firmas estrangeiras que operavam no país nos mais variados sectores, principalmente na construção civil.

As dificuldades de transacção de divisas, o atraso no pagamento por parte do Executivo angolano foram algumas das razões.

"O meu plano para 2017 é mudar de vida"

Para quem perdeu o emprego, o negócio, encerrou as portas da empresa ou viu-se forçado a paralisar os seus estudos em consequência da crise financeira, 2017 será um ano de árduo trabalho.

“O meu plano para 2017 é mudar de vida. Arranjar um emprego e conseguir ajudar a família”, diz José Marcelino, que faz trabalhos de designer, todavia, o seu maior sonho é ser artista plástico.

Simione Hossi, 22 anos, é pai de dois filhos. Trabalha em Luanda como kupatata (mototaxista). Tem na província do Bié toda sua família. Passa maior parte do seu tempo na capital do país, mais de 400 quilómetros da sua terra natal, por motivos de trabalho.

Em face da crise, o jovem conta que tem estado a travar uma penosa batalha nas estradas do município de Viana para garantir a sua sobrevivência. Já tratou a sua carta de condução e o seu maior desejo é conseguir outro emprego para melhorar a sua condição de vida e da sua família.

“Em 2017, quero ver se deixo de andar de motociclo, embora já esteja habituado, mas a ideia é dar outro passo melhor. Já tenho carta de condução e agora quero conduzir máquinas para conseguir mais dinheiro para dar uma ajuda a minha família”, revela.

“O plano é ter uma casa e congregar lá toda minha família”

Muitos angolanos, embora dependentes de uma actividade informal sonham com uma vida melhor neste novo ano, não obstante as dificuldades económicas e financeiras vividas em 2016.

Armando Vitanga, intermediário de compra e venda de béns diversos, explica que entre os seus planos para 2017, consta a conquista de metas não alcançadas em 2016, devido a conjuntura económica.

“O plano é ter uma casa e poder congregar lá toda minha família”, diz

A construção da casa própria e a garantia da formação para os filhos é um dos projectos a ser concretizado igualmente por Manuel Agostinho, motorista de profissão.

Agostinho diz que “comprei um terreno e o primeiro passo é construir a minha casa. Depois a minha formação e a dos meus filhos. Esta é a minha prioridade para o novo ano”.

"Estou aqui a trabalhar como ajudante de mecânica para ver se consigo continuar a estudar"

Carlos António é ajudante de mecânica, terminou o Iº ciclo de ensino secundário e sonha continuar com os seus estudos em 2017.

“Como não tenho possibilidades para alcançar outros patamares, estou aqui a trabalhar como ajudante de mecânica para ver se consigo continuar a estudar. Espero que 2017 seja um ano de sorte e que Deus abençõe para que consigamos atingir outros patamares. Como diz o ditado, Deus tarda, mas, nunca falha”, diz.

Se para uns o maior desejo em 2017 é encontrar um emprego melhor, para outros o novo deverá ser de grandes realizações do ponto de vista académico.

Alexandre Tchimbolongo trabalha como kupapata há mais de cinco anos. É com esta actividade informal que têm estado a sustentar a família, garantindo o direito à educação para os seus filhos e para si.

Embora com dificuldades financeiras, o jovem de 40 anos e pai de três filhos concluiu em 2016 o curso médio de ciências físicas e biológicas.

Em 2017 como, técnico médio, pensa em continuar os estudos. O seu maior desejo é ser pesquisador, pelo que pretende frequentar o curso superior de Ciências da Educação, no Instituto Superior de Ciências da Educação.

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