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Angolanos são a maioria dos refugiados africanos no Brasil


O Rio de Janeiro, visto a partir do Cristo Rei

O Rio de Janeiro, visto a partir do Cristo Rei

Os angolanos representam quase 40% do total de pessoas da África que pediram refúgio ao governo brasileiro

Refugiados africanos no Brasil

Sessenta e quatro por cento dos refugiados no Brasil são africanos, dos quais 40 por cento são angolanos - revela um estudo das Nações Unidas tornado público em Brasília. Entre as cerca de quatro mil pessoas, de 77 nacionalidades, que se refugiam, actualmente, em território brasileiro mais de dois mil 800 têm como origem o continente africano.Os dados foram divulgados por ocasião da visita ao Brasil do Alto Comissário da Agência da ONU para Refugiados António Guterres.

Entre os africanos no Brasil, a nacionalidade que mais se destaca é a Angolana. Os angolanos representam quase 40% do total de pessoas da África que pediram refúgio ao governo brasileiro. Osvaldo dos Santos é um deles. O auxiliar de enfermagem veio para o Brasil há 11 anos para não lutar na guerra civil que dividia Angola. Ele nunca mais viu os parentes e decidiu assumir o Brasil como o seu país. “Você poderia ir para a guerra e ter a sorte de voltar inteiro como foi, ou simplesmente volta pela metade aos pedaços ou simplesmente não voltar. Tem gente que nasceu brasileiro, eu escolhi ser brasileiro”, diz.

O angolano que se identifica apenas como Sandro está no Brasil há mais de uma década e se diz satisfeito com o acolhimento e oportunidades que encontra no território brasileiro, apesar de ter o sonho de voltar para casa. “A vida tá boa, comecei a ter uma nova maneira de observar as coisas. Quando você chega ao Brasil você passa a ter uma nova visão, pelo acesso à educação e informação, coisas que temos em Angola, mas não da forma como é aqui, afirma. “Digamos que aqui temos mais acesso à internet, bibliotecas e, em função disso, você passa a ter mais sentido na vida. Em cheguei aqui em 99. Como a Angola estava numa situação de pós-guerra, já que a guerra mesmo foi finalizada em 2002, o país estava numa situação muito indecisa com relação se haveria paz, por isso meus pais me mandaram para o Brasil,” explica.

Mas, nem todos avaliam que a vida no Brasil seja fácil. O cabeleireiro Fernando, veio da República Democrática do Congo. Os congoleses começaram a chegar ao Brasil na década de 70 e hoje representam quase 10% do total dos estrangeiros nessa situação. Para ele, quem vem do Congo ainda encontra uma realidade bem dura no território brasileiro. “Tem pessoas que ficam com medo, que acham que você é matar lá no Congo, envolvido em alguma coisa errada”.

Para a diretora do Instituto de Imigração dos Direitos Humanos, Irmã Rosita Milesi, o Brasil tem um sistema avançado, uma legislação muito avançada que permite, por exemplo, que o refugiado consiga rapidamente o direito de trabalhar. “Ao chegarem eles são recebidos pela polícia federal para fazerem a solicitação, o que é muito bom porque em caso de estarem em perigo a polícia já formaliza o pedido de refúgio. Depois eles são orientados a fazerem a carteira de trabalho. Esses procedimentos levam de 15 a 20 dias e, a partir dali eles têm a possibilidade de trabalhar regularmente.

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