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ANGOLA FALA SÓ - Celso Malavoloneke: "Ética beliscada com nomeação de filho do presidente"


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A ética do governo sai “beliscada” com a nomeação de Filomeno dos Santos para controlar o Fundo Soberano de Angola, disse o analista e docente universitário angolano Celso Malavoloneke.

Malavoloneke falava no programa “Angola Fala Só” e reagia ao anúncio de que José Filomeno dos Santos vai administrar o fundo de cinco mil milhões de dólares.

O fundo, foi criado em Outubro de 2012 para investir domesticamente e no exterior do país os recursos gerados pelas exportações de petróleo em infra-estruturas e outros projectos tendentes a diversificar a economia angolana, fortemente dependente dos hidrocarbonetos.

Para o analista angolano os presidentes devem evitar nomear os seus filhos para posições que são decididas pelos próprios.

“Sem demérito para as capacidades do filho do presidente exercer as suas funções, a ética sai com alguns arranhões, a ética sai beliscada,” frisou.

O debate foi marcado por um diálogo com ouvintes de todas as partes de Angola sobre as mais diversas questões desde a economia à acção policial.

Um dos ouvintes, Paulo Calunga Júnior de Luanda, abordou declarações do Presidente José Eduardo dos Santos que numa entrevista á televisão portuguesa SIC descreveu de “frustrados” os jovens que têm participado em manifestações anti-governamentais. Esses jovens, disse o presidente são frustrados por não terem alcançado bons resultados na educação e no mercado de trabalho.

“O presidente foi infeliz com essa expressão mas isso é o que acontece se fala de improviso,” disse Malavoloneke para quem isso foi uma expressão que “não caíu bem”.

O analista inverteu contudo a “gaffe” do presidente afirmando que os jovens são frustrados por falta de oportunidades dadas pelo governo.

“É obrigação do estado e da nação dar condições de educação e depois de entrada no mercado de trabalho, “ disse

O ouvinte Justino Pedro da Lunda Norte falou sobre a situação na sua província abordado os temas dos direitos humanos e também de desenvolvimento. E quis saber “para onde vai o dinheiro” da riqueza de Angola

Celso Malavoloneke disse que não se pode negar que tem havido melhorias nas infra-estruturas através do pais com a construção de estradas, pontes, escolas e postos médicos.

“Pode-se ver que uma parte do dinheiro vai para aí,” respondeu Malavoloneke que disse ser no entanto provável que “a região da Lunda tenha sido deixada um bocadinho para trás”.

Por outro lado, disse, o desenvolvimento das infra-estruturas “têm que ser acompanhados de investimentos no homem”.

“Não vamos ter aqui os chineses para sempre,” acrescentou o docente que discordou contudo do ouvinte Bento Clemente de Benguela que disse que a pobreza tem vindo a aumentar em Angola.

Celso Malavoloneke disse que os números e a própria evidencia empírica mostra que houve uma melhoria na situação global da população angolana.

“Isso não significa que não haja pobreza ou que as coisas estejam todas bem,” disse.

“Existe muita pobreza,” acrescentou Malavoloneke que disse que na sua opinião a pobreza deve rondar os 50% da população.

O analista apoiou a sugestão deste ouvinte sobre a necessidade dos debates no parlamento serem transmitidos pela televisão e rádio.

“Os cidadãos têm o direito de saber como é que os seus representantes estão a fazer o seu trabalho,” disse acrescentando que “os deputados gastam o dinheiro dos contribuintes”.

Por isso, disse, há o dever de informar e “o executivo tem o dever de facilitar”.
Uma acesa discussão envolveu a polícia de Angola com o ouvinte Vitornio Molosonde do Bié a acusar a polícia de ser “ a polícia do MPLA”.

O ouvinte André Mutecka criticou essa opinião culpando os partidos da oposição pela sua atitude para com os agentes da policia.

“ O Samakuva veio aqui não avisou a polícia e depois teve um acidente,” disse mencionando o nome do líder da UNITA.

João Tchipalanga do Cunene discordou. “Quem diz que a polícia não é a polícia do MPLA é maluco,” afirmou este ouvinte.

O analista Celso Malavoloneke abordou também a questão dos meios de informação angolanos afirmando que os órgãos de informação estatais são “uma vergonha” para os jornalistas.

Contudo criticou também meios de informação não estatais como a Rádio Despertar e o Folha 8 que, disse, por não procurarem também pontos de vista contrários.

“Sofrem da mesma doença,” salientou Malavoloneke.

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