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Banco Americano Encerra Contas da Embaixada Angolana em Washington


O MNE angolano,r Assunção dos Anjos, e a Secretária de Estado, Hillary Clinton

O MNE angolano,r Assunção dos Anjos, e a Secretária de Estado, Hillary Clinton

Ministério dos Negócios Estrangeiros angolano convoca o representante diplomático americano em Luanda

Bancos americanos encerraram contas da embaixada de Angola e de representações diplomáticas de outros 36 países. O incidente está a causar mal-estar entre Washington e Luanda: o encarregado de negócios americano em Luanda foi chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. A embaixada angolana está sem dinheiro para pagar salários e foram adiadas as celebrações do Dia da Independência.
Estão em curso contactos intensos entre os governos de Angola e dos Estados Unidos para solucionar o problema.
Em Luanda, o encarregado de negócios dos Estados Unidos já foi chamado ao Ministério das Relações Exteriores duas vezes, para o que foi descrito à VOA como reuniões difíceis.
A porta-voz do departamento de Estado para África, Hillary Renner, sem falar especificamente de Angola, disse à VOA que o governo americano está a tentar resolver um problema de ameaça de cessação ou cessação de serviços bancários a missões diplomática de vários países.
“Já contactamos algumas missões diplomáticas afectadas e estamos a examinar opções para ultrapassar a situação, disse Renner, prosseguindo: “Ainda estamos a tentar determinar quais possam ser essas opções e esperamos que as missões diplomáticas rapidamente obtenham serviços junto de outros bancos”.
No caso de Angola, as contas da embaixada de Washington foram congeladas com aviso prévio de apenas uma semana, nos últimos dias de Outubro. O Bank of America, onde as contas estavam domiciliadas, recusou-se a justificar a sua acção.
Em Julho, o banco HSBC tinha solicitado à embaixada angolana em Washington o encerramento das suas contas num prazo de três meses.
Diplomatas angolanos disseram à VOA que este comportamento inaceitável e que as autoridades americanas são obrigadas, pela convenção de Viena a manter condições para o funcionamento das embaixadas estrangeiras.
Fontes do Departamento de Estado disseram à VOA que o assunto já foi levado ao conhecimento da secretária de Estado Hillary Clinton e que o problema afecta não só Angola como outros 36 países, 16 dos quais africanos.
“A nossa diplomacia precisa de relações estáveis com os países amigos e nós estamos a trabalhar para resolver este problema”, disse a fonte.
E então qual é o problema? Apesar de os bancos não dizerem, várias fontes contactadas pela VOA dizem que as contas em causa são de países referenciados pelo Grupo de Trabalho de Acção Financeira. Trata-se de um organismo internacional criado no âmbito da ONU para combater o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo… e promover a transparência bancária.
Qualquer país que seja referenciado pode ser alvo de medidas especiais dos bancos onde tenham contas, o que pode variar de país para país e, até, de banco para banco.
No caso de Angola, uma tentativa de transferência de 50 milhões de dólares do banco central angolano para uma conta privada, criou um alerta. Em Março deste ano, Angola foi colocada numa lista de países que ainda não tinha demonstrado empenho suficiente na transparência bancária. Meses depois, foi a embaixada foi convidada a encerrar as contas no HSBC.
Mas em Julho, numa nova lista do Grupo de Trabalho de Acção Financeira, Angola aparecia como um país em diálogo com aquele organismo para resolver as questões suscitadas antes.
Daí que as autoridades angolanas se tenham sentido surpreendidas e irritadas com o encerramento da suas contas pelo Bank of America e tenham exigido ao governo americano que clarifique as regras sob que operam os bancos e que excluam as embaixadas deste tipo de situações.
Luanda está a perder a paciência e pondera medidas a tomar se a situação não se resolver a curto prazo, podendo, numa primeira fase chamar a Luanda para consultas a sua embaixadora em Washington, Josefina Pitra.
A embaixadora mandou suspender as iniciativas para as comemorações dos 35 anos da independência, por indisponibilidade ver de verbas. Nas duas capitais espera-se que seja possível resolver o problema antes que ele se transforme numa crise.

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