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UNITA: "Há trabalhos forçados no Kuando-Kubango"

  • António Capalandanda

Isaías Samakuva

Isaías Samakuva

Samakuva disse que a Casa Militar da Presidência da República tem recrutado pessoas para trabalharem "em regime de escravidão".

O presidente da UNITA, Isaías Samakuva, disse que o seu partido irá solicitar a criação de uma comissão de inquérito parlamentar, para investigar a situação de alegada escravatura de cidadãos angolanos na província de Kuando Kubango.
Samakuva que falava este fim-de-semana, no acto central da celebração dos 47 anos da fundação do seu partido, realizado no Kuando Kubango, diz ter recebido informações das próprias vitimas que, a Casa Militar da Presidência da República, tem recrutado pessoas para trabalharem em fazendas de governantes, em regime de escravidão.

“Os nomes das fazenda, as empresas dizem-nos que são de governantes, mas os trabalhadores quando perguntados dizem-nos que recebem dinheiro do Estado”, disse aquele líder político, acrescentando que “quer sejam de governantes, quer sejam do Estado, o tratamento que reservam aos nossos companheiros aqui no Kuando Kubango é uma pura escravatura”.

O político alega que, os funcionários que tentam reclamar os seus direitos são castigados e perdem os seus salários, tendo apelado aos angolanos a se unirem no combate contra a opressão.“ Pela constituição a Casa Militar é em Luanda, são serviços de apoio a presidência da república. Aqui estão a nos dizer que a Casa Militar é que recruta para irem para fazendas de privados e para depois receberem salários do governo, quando não há salários para pagar bem a policia, os professores e enfermeiros”.

Samakuva revelou ainda que o pedido de inquérito a ser feito pela UNITA, deverá ser dirigido também às organizações de defesa dos direitos humanos e ao MAPESS. A VOA, tentou sem sucesso ouvir as autoridades do Kuando Kubango. Falando durante as celebrações do aniversário, Vitorino Nhany, secretário-geral da UNITA referiu a acção judicial que o seu partido moveu junto da Procuradoria-Geral da república contra o presidente Eduardo dos Santos e seus colaboradores principais pelos crimes cometidos durante o processo eleitoral.

Esta acção judicial criou um clima de crispação entre os principais partidos angolanos, tendo o secretariado do Bureu Político do MPLA, manifestado a sua repulsa alegando tratar-se duma manobra do partido UNITA, que tem como propósito único criar um facto político que possa atenuar ou escamotear a sua notada incapacidade de se apresentar a sociedade como uma força política credível e com projectos sólidos e alternativos para governação do País. Mas Nhany fala da necessidade do cumprimento da lei.“ O Bureu Político do MPLA, não tem nada que se zangar com a UNITA” afirmou aquele dirigente partidário, alegando “ zangue-se com o senhor José Eduardo dos Santos que cometeu crime de alta traição a pátria e caso prove inocência faça-o junto do ministério publico, a quem compete representar o estado junto dos tribunais” disse Nhany.

Refira-se que, no encerramento das Jornadas Parlamentares da UNITA que decorreram no Kuando Kubango, Samakuva, disse que todas as eleições em Angola são fraudulentas e por isso produzem mandatos sem legitimidade, governos sem governabilidade, e poder sem responsabilidade.

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