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Angola: Sobas julgam ineficaz o combate ao roubo de gado

  • Armando Chicoca

Reunião de sobas do Sul e Centro de Angola com governdores provinciais, para definir combate ao roubo de gado, excluiu os "sobas grandes".

Reunião de sobas do Sul e Centro de Angola com governdores provinciais, para definir combate ao roubo de gado, excluiu os "sobas grandes".

Reunião de autoridades tradicionais com governantes do Sul foi inconclusiva e criticada pelos sobas

Os sobas do Namibe consideram um fracasso o encontro dos Governadores da Huila, Namibe, Cunene e Benguela, em busca de soluções conducentes ao combate ao roubo de gado - um flagelo na região.

O soba grande do município do Virei, Bernardo Mussande, disse a Voz da América que o encontro o encerrado na cidade das acácias rubras, esta semana, pecou pela ausência dos sobas grandes das regiões mais propensas ao fenómeno, os municipios da Bibala, Camucuio e Virei, na provincia do Namibe; Quilengues, Gambos, Chibia e Humpata, na provincia da Huila; e Curoca na provincia do Cunene.

"Nós deveriamos colocar os reais problemas aos quatro governadores provinciais reunidos nesta magna. Infelizmente, deixaram de fora os sobas grandes que deviam participar neste encontro importante. Dariamos a nossa contribuição sobre este caso," referiu.

O soba Mussonde disse que a ideia de todos os sobas da região é consensual, e a ausência dos principais foi, portanto, uma falha grande dos governantes.

"Digo assim porque somos mais velhos, a ideia é de todos os sobas. Enquanto nestas reuniões não participarem os sobas grandes, enquanto os mais velhos não forem ouvidos, o problema de roubo de gado não encontrará solução", afirmou

Bernardo Mussonde (soba grande do Virei, um dos municípios com mais potencial em gado, mas também famoso em casos de roubo de animais) apelou aos governos provinciais do Namibe, Huila, Benguela e Cunene, no sentido de no próximo encontro, a ter lugar em Junho do ano em curso, na cidade do Lubango, seja ouvida a voz das autoridades tradicionais e criadores de gado.

"Queremos dar um conselho sobre o caso, por isso é que somos mais velhos. O governador não conhece melhor os problemas das comunidades melhor que o soba, que lida no dia-a-dia com as comunidades. Os problemas dos quimbos e outros, são os sobas que devem dar caminho aos governantes. A ausência dos sobas foi um fracasso, não sei se na proxima reunião seremos ou não convidados a participar", sublinha o soba Mussonde.

De 66 anos de idade, Bernardo Mussonde é filho de um soba deportado para S. Tomé, na década dos anos quarenta. Chegou ao trono em 1992 em substituição de seu tio Kalohamwe, então soba de Sayona, município do Virei.

Bernardo Mussonde, denunciu o roubo de 32 cabritos, pertença das comunidades Muhimbas residentes na margem da fronteira com a Namíbia, perpetrada por supostos comerciantes ambulantes. Os animais, segundo o soba, estão a ser comercializados na cidade de Luanda

"Hoje mesmo tivemos uma sentada em casa do soba Inácio Masseka com as comunidades saqueadas e partiram para o século, afim de se apurar a veracidade do individuo que recepcionou os cabritos aqui no Namibe, de traâsito para Luanda", declarou Mussonde.

O soba defende a normalização do comercio rural, mediante o licenciamento de pessoas idóneas e capazes de ajudar as comunidades no comércio de permuta com animais, sem instigar os jovens das comunidades à práctica de roubo de gado em beneficio dos comerciantes candongueiros que nem sequer pagam impostos.

O encontro dos governadores do Namibe, Huila, Cunene e Benguela pode desembocar no fracasso por ausência dos sobas das áreas afectas pelo fenómeno do roubo de gado das quatro províncias respectivas, defendem autoridades locais.

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