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Nomeação de Isabel dos Santos destinada a tentar garantir sobrevivência do MPLA, diz analista britânico

  • Redacção VOA

Isabel dos Santos, a filha mais velha do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos em Luanda, 29 Janeiro 2013

Isabel dos Santos, a filha mais velha do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos em Luanda, 29 Janeiro 2013

Alex Vines, da Chatham House, afirma que Isabel dos Santos não tem possibildiade de suceder ao seu pai em parte devido à sua raça.

O analista britânico Alex Vines afirmou que a nomeação de Isabel dos Santos para a chefia da Sonangol destina-se apenas a tentar reformar a indústria petrolífera que “é absolutamente necessária para a sobrevivência do MPLA e da Presidência”.

"É portanto uma medida destinada a salvar o regime totalmente dependente do petróleo", explicou o analista que é director do Departamento Africano do conhecido centro de estudos Chatham House, sediado em Londres.

Em conversa com a VOA, Vines disse não compartilhar da opinião que a nomeação de Isabel dos Santos poderá ser o primeiro passo para uma sucessão dinástica de José Eduardo dos Santos que anunciou já que tenciona abandonar a política em 2018.

“O partido, o MPLA, seria uma barreira muito difícil para ela”, disse Vines, acrescentando haver ainda a questão da “política racial” que a impede de ser escolhida.

“Ela é mestiça e isso torna-se de imediato numa barreira difícil a ultrapassar”, considerou o analista.

“A política de raça em Angola joga um papel importante também neste caso e não se fala nisso”, acrescentou Vines, para quem a nomeação da filha de Santos está relacionada com a sua experiência empresarial.

"Isabel dos Santos tem a reputação de ser uma excelente empresária e a reforma da indústria petrolífera é absolutamente essencial para a sobrevivência do MPLA e da Presidência”, asseverou Alex Vines.

“O Presidente José Eduardo dos Santos precisa de alguém em quem pudesse confiar e ele confiou na sua filha para fazer isso”, acrescentou o analista, acrescentando que o Governo quer tornar a indústria petrolífera “mais produtiva e masi lucrativa”.

O especialista afirmou ainda que o Presidente teve a certa altura a intensão de fazer o seu filho Zenu dos Santos o seu sucessor “mas não penso que isso seja também uma opção de momento”.

Alex Vines disse também não acreditar que a decisão de nomear isabel dos Santos se destine a deixar familiares do Presidente no controlo dos principais sectores da economia.

“Sou menos cínico sobre essa decisão”, disse Vines, adiantando que “a realidade é que a indústria petrolífera de Angola está em crise”.

“A Sonangol tornou-se improdutiva e a precisar de reformas e o FMI e o Banco Mundial têm vindo há muitos anos a advogar refirmas fundamentais”, disse, afirmando que embora seja “triste” nomear a filha do Presidente, isso mostra “quão estratégica e importante é a reforma da indústria do petróleo”.

“Um outro meio de olhar para isto é ver a nomeação como algo para garantir a sobrevivência do regime”, concluiu o especialista da Chatham House.

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