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2016: Angola em retrospectiva

  • Manuel José

Activistas angolanos

Activistas angolanos

Factos, números e nomes que marcaram o país.

O ano de 2016 em Angola começa com uma notícia nada agradável para os angolanos: Governo acaba com os subsídios aos combustíveis e o gasóleo que antes era comercializado a 90 kwanzas o litro sobe para 135 kwanzas, a gasolina de 115 vai para 160 kwanzas.

Outros derivados do petróleo também sofreram viram os preços disparar, levando com eles os preços dos restantes produtos, como da cesta básica e táxi subiu igualmente, vida mais dificil para os angolanos.

Outro assunto de destaque no ano prestes a terminar foi a nomeação de Isabel dos Santos para a presidênciado Conselho de Administração da Sonangol, pelo seu pai,Presidente da República José Eduardo dos Santos.

A nomeação mexeu com a sociedade: uns a favor, outros contra.

Entre os que contestaram a nomeação da primogénita de JES, um grupo de juristas intentaram uma acção junto do tribunal, da PGR e da própria Presidência da República.

Para o grupo de 12 juristas a nomeação de Isabel dos Santos fere a lei probidade pública.

O tribunal nada dizia, o que levou a um outro grupo de cidadãos, entre eles Marcolino Moco, Fernando Macedo, a convocar uma manifestação que não foi autorizada pelo Governo e a polícia nacional.

Fez igualmente manchete em Abril deste ano a condenação de José Julino Kalupeteka, líder da seita A Luz do Mundo a 28 anos de cadeia, por homicídio de nove elementos da polícia nacional.

O ano de 2016 viu 17 activistas condenados.

Domingos da Cruz, Luaty Beirão, Nito Alves entre outros foram condenados a penas de prisão que foram de dois anos a mais de oito anos por actos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores, mas três meses depois foram soltos sob termo de identidade e residência.

Mais tarde beneficiraam da lei da amnistia decretada por José Eduardo dos Santos.

Assunto candente ainda este ano: dois anúncios sobre a retirada da vida política activa de José Eduardo dos Santos, depois de 37 anos no poder em Angola.

No primeiro anúncio, Santos disse que em 2018 sairá da vida política activa.

No segundo, durante a reunião do Bureau Político do MPLA, em que ficou, quer dizer pelo menos não de forma oficial, que ele já não será o cabeça-de-lista do partido dos camaradas nas eleições de 2017.

João Lourenço é indicado como o novo cabeça-de-lista do MPLA, secundado por Burnito de Sousa, actual ministro da Administração do Território.

Lourenço estreou-se, numa espécie de ensaio do futuro cargo, ao discursar em substituição de José Eduardo dos Santos nos festejos de mais um aniversário do MPLA, a 10 de Dezembro.

2016 foi fértil em conflitos de terras, melhor dizendo em demolições de casas que deram em assassinato: Rufino Fernando, um adolescente de 14 anos foi morto por elementos da PCU, ao serviço da Zona Económica Especial em protecção de terras supostamente ligadas à zona do novo aeroporto.

Para além de Rufino que perdeu a vida, várias pessoas ficaram ao relento, sem suas residências.
Momento amargo para muitos angolanos foi o surgimento de uma epidemia: febre amarela.

Notícias davam conta de mais de 500 mortes, e o Governo angolano desdobrou-se em campanhas de vacinação contra a febre amarela para minimizar os efeitos da doença.

Em termos partidários, 2016 foi o ano dos congressos: o conclave da UNITA, apesar de ter sido realizado em Dezembro do ano, começou a fazer efeitos neste ano.

A CASA-CE realizou o seu congresso que confirmou Abel Chivukuvuku como presidente da CASA que confirmou a sua transformação de coligação e, partido político, esperando apenas a homologação do Tribunal Constitucional.

O MPLA também escolheu 2016 para realizar o seu congresso, durante o qual o presidente dos camaradas fez pronunciamentos bombásticos: José Eduardo dos Santos anunciou a existência de empresários desonestos no seio do MPLA, mas não revelou os nomes dos referidos empresários.

Foi igualmente destaque, no capitulo político, a decisão de Ambrosio Lukoki que não mais quis que o seu nome constasse da lista do Comité Central dos camaradas.
E mesmo a terminar o ano, uma outra detenção, desta feita com poucos holofotes em cima: 37 antigos militares das FALA, o antigo exército da UNITA, acusados de atentarem contra órgãos de soberania, como o Presidente da Republica, estão a ser julgados.

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