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Angola no bom caminho, mas a precisar de tempo para ajustes


Mercado Zango 1 em Luanda

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Analistas vêem "ineficiência" do aparelho do Estado como obstáculo à passagem de Angola a país de rendimento médio

A passagem de Angola de país menos avançado para economia de média
renda, foi acolhida pelas autoridades como mais um estímulo. Contudo, especialistas nacionais mostram algum cepticismo, sobretudo diante da
conjuntura em que o país se encontra.

Para entendermos melhor o que implica essa graduação, falámos com Sérgio Kalundungo, especialista em programas de desenvolvimento e Willy Piassa, coordenador da Rede Contra a Pobreza Urbana de Luanda.

Para Willy Piassa, apesar da boa notícia, Angola precisa de mais tempo para ajustes, sendo necessário implementar políticas que reduzam as desigualdades sociais.

Segundo o coordenador da Rede Contra a Pobreza Urbana de Luanda, se olharmos para os 12 principais indicadores da Organizações das Nações Unidas (ONU) para que um país seja considerado de rendimento médio, "então Angola já está nesse patamar", disse acrescentando que "é bom referir que existem países de média renda baixa e países de média renda alta" e, que, sendo assim "estamos no nível de país de renda média baixa, porque a diferença entre os que têm muito e os que têm pouco é abismal".

Também com algum cepticismo, Sérgio Kalundungo, especialista em programas de desenvolvimento, considera curioso que esta notícia chegue numa altura em que os principais indicadores de desenvolvimento em Angola estejam a ser afectados pela crise.

Kalundungo explica que o actual momento põe em causa o discurso de robustez da economia angolana, mostrando que o país "não estava preparado para algo que não podia controlar", como a descida do preço do barril do petróleo e é "curioso que é exactamente agora que Angola "gradua" para o processo de país rendimento médio.

Mas outros factores são apontados pelos Kalundungo e Piassa, em entrevista à VOA.

A "ineficiência" do aparelho do Estado é um deles. Questionado sobre a capacidade de se combater essa ineficiência, Piassa afirma: "Se houver vontade, o país pode ser mais rígido".

"Não existem sete países em África com o Orçamento Geral de Estado tão alto como o nosso", refere Piassa, argumentando que o "o OGE tem que ter um impacto maior na vida do cidadão angolanos, os fundos têm que ser bem aplicados e não se pode deixar impune práticas danosas dos fundos públicas".

Para Piassa só assim Angola poderá passar efectivamente a país de rendimento médio.

Já Sérgio Kalundungo lembra que do ponto de vista qualitativo, de capital humano, Angola não está onde devia estar, defendendo que é preciso diminuir a vulnerabilidade a nível económico, referindo-se à dependência do petróleo.

No que toca à imagem do país, esta passagem a país de rendimento médio, é do ponto de vista simbólico, motivo de orgulho nacional", mas na prática, reitera Kalundungo, "os dirigentes têm que saber tirar proveito dessa graduação".

"Angola tem que se abrir e criar condições para que esta força de que se fala sobre o país tenha de facto impacto", concluiu.

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