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Oposição angolana exige eleições autárquicas em 2015

  • Manuel José

Unita e Casa-CE dizem não acreditar nas razões dadas pelo PR.

A oposição em Angola insiste que há condições para que as eleições autárquicas sejam realizadas antes de 2017 e rejeitou os argumentos do presidente José Eduardo dos Santos que disse que provavelmente só em 2017 haverá condições para tal.

A Unita, por exemplo, pensa que se houver vontade por parte do Presidente da República as autarquias podem ser uma realidade em 2015.

Com efeito, o líder da bancada parlamentar do partido do Galo Negro Raul Danda considera que as razões avançadas por Santos, como obstáculos, para a implementação das autarquias no país não fazem qualquer sentido.

"Como é que há dinheiro para se dar ao Banco Espírito Santo de Angola, 5.7 bilhões de dólares, do erário publico para generais que envergonham o país irem gastar lá fora, compram casas lá fora onde encontram milhões de euros dentro de casa, milhões de euros e dólares para irem jogar batota lá fora, para se praticar tráfico de seres humanos e prostituição internacional e não há dinheiro para se realizar as autarquias? Só pode ser brincadeira”, disse.

No seu recente discurso na Assembleia Nacional, o presidente Santos indicou que mesmo em 2017 poderá ainda não haver condições para as eleições autárquicas.

"Será que até 2017 podemos adequar a legislação eleitoral e actualizar o registo eleitoral para as eleições gerais e conceber a legislação, para as autarquias locais e a realização das eleições autárquicas?”, interrogou na altura, o chefe do Executivo disse ser apologista da prudência e do pragmatismo.

"Eu prefiro ser sempre realista e pragmático, prefiro ter um calendário de tarefas que possa cumprir efectivamente", afirmou José Eduardo dos Santos.

Raul Danda diz ser difícil acreditar nas palavras do presidente angolano. "O presidente José Eduardo dos Santos num momento diz uma coisa, noutro momento depois de ter dormido acordou e pensou bem e diz outra coisa”, continuou Danda para quem isso “é sinal que daqui a dois meses pode chegar à conclusão que este país não precisa de autarquias”.

“Com vontade política em 2015 nós podemos ter eleições autárquicas, porque não?", concluiu o chefe da bancada parlamentar da Unita.

Outro político que não faz fé no pronunciamento de José Eduardo dos Santos é Nelson Pestana, do Bloco Democrático, para quem "a Constituição é para ser aplicada e não para perguntar se isso é ou não realista e pragmático”.

“As autarquias são um imperativo constitucional, para serem implementadas e não para perguntar se são realistas ou pragmáticos”, acrescentou o politico, lembrando que, no ano passado, José Eduardo dos Santos no discurso sobre o estado da nação “disse que não se pode mais pôr em causa a importância e a necessidade da implementação das autarquias”.

“Um ano depois vem nos dizer que que não tinha pensado bem e que não levou em consideração uma série uma serie de pressupostos e que agora é realista e pragmático e acha que não se deve realizar antes de 2017!", exclama aquele dirigente do Bloco Democrático

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