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Partidos da Oposiçao em Angola reconhecem falta de unidade

  • Agostinho Gayeta

Assembleia Nacional Angola

Assembleia Nacional Angola

Partidos da Oposição em Angola reconhecem que falta de unidade entre si tem sido um obstáculo à alternância do poder. Porém, acusam o partido do governo de aproveitamento político e de incentivar os dissabores no seu seio dos oposicionistas.

A ausência de uma estratégia comum entre as forças políticas na oposição, bem como as intrigas internas no seu seio, alegadamente fomentadas pelo MPLA, constituem um "iceberg" para os partidos da oposição em Angola se afirmarem como alternativa ao poder.

N´donda N´zinga Porta-voz da FNLA valoriza o desempenho da oposição, mas salienta que se precisa o essencial, "uma plataforma de concertação permanente que deve existir entre os partidos para enfrentar o gigante chamado MPLA".

O partido no poder segundo a oposição política angolana tem posto a sua mão invisível nos dissabores internos de muitas forças políticas da oposição.

A UNITA, segundo Adalberto da Costa Júnior, deputado pela bancada parlamentar do Galo Negro, tem tomado várias iniciativas que visam a unidade e a definição de estratégias comuns para alternância política da liderança da governação do país.

As fragilidades levam a que muitos partidos se deixam corromper e se subverter, "nós tivemos na legislatura anterior o caso mais engraçado, e este eu vou apontá-lo, da Nova Democracia, que se assumia como um partido da oposição, mas comutava permanentemente com o partido do «regime» com todas as consequências que isto tem". Um mau exemplo, de acordo com Adalberto da Costa Júnior para o caminho da democratização que se pretende fazer.

O deputado da UNITA aponta ainda como exemplo de iniciativas do seu partido o «Novo contrato social» apresentado recentemente ao Presidente da República durante a audiência que manteve com o líder do Galo Negro.

O Vice-presidente da CASA-CE, Convergência Ampla de Salvação de Angola-- Coligação Eleitoral, Manuel Fernandes, pensa que o problema da oposição não consiste na falta de coesão, mas sim na pobreza extrema que torna os militantes de algumas forças políticas vulneráveis a aliciamentos.

Para o político estratégias do género, supostamente gizadas pelo MPLA, dão a imagem de uma oposição política fragilizada, contrariamente aquilo que é real.

Joaquim Nafoya Secretário Nacional para Informação do Partido de Renovação Social, PRS, ressalta igualmente o alegado aproveitamento político do MPLA da pobreza material da oposição aliada ao oportunismo de muitos políticos.

A oposição carece de inteligência para contornar as estratégias do partido governante.
A FNLA pensa que a oposição enquanto alternativa para governação do país precisa saber contornar o jogo estratégico do partido governante. “Se fizermos o jogo do partido no poder a oposição vai continuar fragilizada".

A vaidade política de algumas formações partidárias tem sido um obstáculo à criação de uma plataforma política que trabalhe em comum para se encontrar uma alternativa para o país. Joaquim Nafoya Secretário Nacional para Informação do PRS pensa que falta nos partidos da oposição mais inteligência para um trabalho em conjunto, que visa à unidade e a criatividade no sentido de forçar o partido governante a fazer o melhor.

"A oposição se não faz mais não é porque o regime não deixa, mas, é porque nós próprios não temos sido inteligentes".

O Porta-voz da FNLA é igualmente a favor de uma maior inteligência da oposição para gerir os seus problemas preservando a contenção na linguagem. "a oposição não deve levar a vida a distrair-se com ataques entre si porque quem ganha com isto é o partido no poder", assegurou N´donda N´zinga.

A CASA-CE tem uma visão diferente sobre o estado e o papel desempenhado pelas forças oposicionistas em Angola.

Para Manuel Fernandes as acções positivas da oposição têm sido ofuscadas, sobretudo pela imprensa. Trata-se de uma estratégia da comunicação social estatal para detratar a imagem da oposição política angolana. "Infelizmente este é tipo de comunicação social que temos", ressaltou o também líder dos POC´s, Partidos da Oposição Civil.

Oposição defende coesão ventre si para alternância do poder nas autarquias e nas eleições gerais de 2017.

A CASA_CE entende que se precisa desenvolver uma unidade de acções de toda oposição para reduzir a alegada «máquina da fraude» dos processos eleitorais.

"Toda uma máquina tendente a inverter a vontade popular diante dos resultados eleitorais pode ser feita, pode ser maquina se a oposição não estiver unida", afirmou Manuel Fernandes, deputado à Assembleia Nacional e vice-presidente da CASA-CE.

A Frente Nacional para Libertação de Angola é a favor da realização de um estudo profundo para estancar as alegadas fraudes eleitorais. Para o Porta-voz da FNLA, N´donda N´zinga apesar das boas iniciativas da oposição a maioria do MPLA não permite a sua valorização no parlamento. "Tem que se inverter este quadro", disse o político.

Pelo andar da carruagem e pela acomodação da oposição política com 45 deputados na Assembleia Nacional, o Secretário Nacional para Informação do PRS mostra-se céptico. Joaquim Nafoya entende que a existência de partidos políticos satélites pode dificultar o trabalho da oposição. "Os 45 lugares da oposição no seu todo na assembleia Nacional não resolve o problema do povo".

Joaquim Nafoya Secretário Nacional para Informação do PRS.

Em Novembro de 2013 por iniciativa da UNITA foi realizada uma «mega» manifestação de protesto em todo país, alguns partidos da oposição abraçaram a causa do Galo Negro, mas outros, por sinal a maioria, preferiram distanciar-se deste acção.

Durante a manifestação a polícia lançou gás lacrimogénio, efectuou disparos e socorreu-se da brigada canil e da cavalaria, além de outros meios bélicos para travar a manifestação que resultou em um morto e vários feridos.

Os protestos terminaram em tragédia, um militante da CASA-CE foi morto a tiro supostamente por um militar afecto à guarda presidencial angolana.

Até a data presente não há qualquer concertação comum entre as forças políticas da oposição no sentido de pressionar os órgãos de direito a esclarecerem o crime e julgar o autor dos disparos que levaram à morte Wilbert Ganga, jovem de 29 anos de idade que militava na CASA-CE
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