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Angolanos não esquecem os massacres de 27 de Maio de 77


Monumento às heroínas de Angola, em Luanda

Monumento às heroínas de Angola, em Luanda

“O 27 de Maio não é uma coisa que foi escrita a lápis”, os crimes que se cometeram “não prescreveram”

O 27 de Maio de 1977 é uma data que entrou a história de Angola, para alguns pelas piores razões. Milhares de pessoas foram encarceradas e depois executadas, na sequência de uma alegada intentona golpista atribuída a Nito Alves.

Angola ainda não ultrapassou ou sarou as feridas
abertas pela chacina. O actual poder tudo faz para a data passe despercebida. O Panguinho de Oliveira e os seus convidados: Alexandre Sebastião André e Eusébio Rangel, que estiveram presentes no cenário de
1977, debatem as suas implicações. Para Eusébio Rangel, “o 27 de Maio não é uma coisa que foi escrita a lápis”, os crimes que se cometeram “não prescrevem à luz do Direito Internacional”. Rangel questiona-se, porém, sobre a oportunidade de se criar uma Comissão da Verdade para revisitar o caso as matanças ocorridas na sequência do esmagamento da revolta dos fraccionistas liderados pelo comandante Nito Alves.

Alexandre Sebastião André considera que, a 27 de Maio, “a sociedade angolana perdeu muitos dos seus quadros”, considerando que Angola se ressentiu desse facto. A propósito, considera que “o próprio presidente Eduardo dos Santos sobreviveu ao 27 de Maio de 1977”. Na opinião de Sebastião André foi Eduardo dos Santos que, ao assumir o poder depois de Agostinho Neto, “contribuiu muito para a cessação das vinganças, da caça às bruxas e que foi libertando aqueles cidadãos que se encontravam nos campos de concentração de Kilundo, Kibaca, Katofe e outros, mas sem que os libertados tivessem possibilidades de enquadramento”.

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