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Angola: Julgamento dos suspeitos no caso Cassule/ Kamulingue ainda está longe


Kamulingue e Cassule

Kamulingue e Cassule

Procuradoria disse que o caso já foi entregue a um tribunal.

O advogado David Mendes, líder da Associação Mãos Livres, diz ser muito cedo para se falar em julgamento do processo que envolve nove suspeitos da morte dos activistas Isaías Cassule e Alves Kamulingue em Maio de 2012.


Mendes reagia à declaração da Procuradoria segundo a qual já terminram as investigações sobre o caso tendo o processo já sido entregue a um tribunal.

Em declarações à Voz da América, David Mendes disse que há muitos procedimentos a serem cumpridos antes do processo ir a tribunal. O causídico angolano não revelou a identidade dos nove cidadãos suspeitos.

“O procurador junto do Tribunal provincial vai fazer a acusação e só depois da acusação do Ministério Público é que é aberta a instrução contraditória e só depois do despacho de pronúncia”, disse.

A Procuradoria Geral da República, num comunicado, lido no principal serviço de notícias esclareceu, na última semana, que o processo-crime instruído pela Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), foi remetido ao Tribunal Provincial de Luanda já no passado dia 31 de Janeiro.

O anúncio foi feito poucos dias depois dos familiares dos activistas Alves Kamulingue e Isaías Cassule se terem queixado mais uma vez de não estarem a ser informados do andamento do processo.

Alves Kamulingue e Isaías Cassule foram raptados na via pública, em Luanda, nos dias 27 e 29 de Maio de 2012, quando tentavam organizar uma manifestação de veteranos e desmobilizados contra o Governo do Presidente José Eduardo dos Santos.

Em Novembro do ano passado, o Procurador-Geral Adjunto da República, Beato Paulo, identificou os cidadãos, Júnior Maurício, Francisco Pimentel Daniel, Augusto Mota e João Fragoso, que pertencem à Polícia Nacional e aos Serviços de Informação e Segurança (SINSE), como sendo os suspeitos de assassinato dos activistas Isaías Cassule e António Alves Kamulingue.

Na altura, Beato Paulo tinha garantido que quando fossem concluídos todos os exames periciais, relatórios e outros elementos necessários, o processo seria remetido ao Tribunal Provincial de Luanda.
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