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Eduardo dos Santos criticado por apoio a Gbagbo

  • Agostinho Gayeta

Eduardo dos Santos criticado por apoio a Gbagbo

Eduardo dos Santos criticado por apoio a Gbagbo

A relação de amizade entre Laurent Gbagbo e Eduardo dos Santos terá falado mais alto na posição manifestada pelo presidente angolano

Luanda,14, Jan, 2011 - O posicionamento do Eduardo dos Santos em relação à Costa do Marfim, apoiando Gbagbo, está a suscitar várias interpretações críticas por parte dos analistas de política e relações internacionais.

Instado a comentar a posição de Angola em relação aos resultados das eleições presidencias na Costa do Marfim e a consequente crise política, manifestada pelo mais alto mandatário da República angolana, Sebastião André afirmou que o discurso de Eduardo dos Santos pode resultar na ruptura da União Africana e coloca em causa a democracia na região Austral do continente. Sebastião André diz que o facto de se ter esgotado o tempo estabelecido pela lei eleitoral para divulgação dos resultados das eleições não justifica a posição defendida por José Eduardo dos Santos.

Para o docente universitário e especialista em Relações Internacionais, Peter Feijó, a posição de Angola devia estar voltada para os interesses democráticos, salvaguardando a sua imparcialidade neste conflito político. Na sua opinião, a relação de amizade entre Laurent Ghagbo e Eduardo dos Santos terá falado mais alto na posição manifestada pelo presidente da República de Angola. Peter Feijó lembrou que Alassane Outtara foi um dos líderes africanos que prestou apoio total a UNITA, maior partido da oposição em Angola, durante os conflitos armados. Angola terá sido acusada nos finais do ano passado de ter enviado mercenários em Abidjan para defesa do presidente cessante da costa do Marfim, uma afirmação que foi categoricamente desmentida pelo executivo angolano.

Recorda-se, a propósito, que depois de desmentir as acusações segundo as quais existem mercenários angolanos na Costa do Marfim em defesa de do presidente cessante, o presidente angolano manifestou apoio total a Laurent Gbagbo.

O Chefe do Estado angolano considerou, nesta quinta-feira, em Luanda, Laurent Gbagbo como o presidente constitucional da Costa do Marfim e que deve se manter-se no poder até a realização das próximas eleições neste país africano, que vive, desde Novembro último, um conflito político que já causou mais de duas centenas de mortos.

Justificando a sua posição, José Eduardo dos Santos afirmou que os resultados da segunda volta das eleições presidenciais na Costa do Marfim foram anunciados fora do prazo estipulado por lei e por quem já não tinha competências para o fazer.

Eduardo dos Santos considerou precipitada a atitude do representante das Nações Unidas na Costa do Marfim ao anunciar os resultados dos escrutínios.

Para o presidente da República de Angola a declaração do representante da ONU induziu em erro toda a comunidade internacional, pelo facto do Conselho Constitucional não validar os resultados provisórios divulgados pelo presidente da Comissão Eleitoral, sob a alegação de fraudes e irregularidades.

Eduardo dos Santos, que falava na cerimónia de cumprimentos de Ano Novo ao corpo diplomático acreditado em Angola, deixou claro que o Estado angolano não aceita que haja um presidente eleito na Costa do Marfim, mas um presidente Constitucional.

Eduardo dos Santos manifestou, por outro lado, o total apoio do executivo angolano na pacificação da Costa do Marfim e apelou para uma solução que coloque em primeiro lugar os legítimos interesses de todo povo costa-marfinense.

Entretanto, o analista de assuntos internacionais Orlando Victor Muhongo considera os pronunciamentos da comissão eleitoral a causa dos conflitos na Costa do Marfim e justifica a sua posição.

O conflito na Costa do Marfim já dizimou mais de 200 pessoas, vítimas da violência desde o início da contestada eleição presidencial. A ONU e a comunidade internacional reconhecem a vitória do oposicionista Alassane Ouattara na eleição presidencial de Novembro, mas o presidente Laurent Gbagbo recusa-se a abrir mão do poder.

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