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Angola terá de efectuar mudanças estruturais profundas, diz analista da Chatham House

  • Redacção VOA

Soren Kirk Jensen, investigador da Chatham House

Soren Kirk Jensen, investigador da Chatham House

As "velhas formas de fazer negócio têm que mudar", afirma Soren Jensen.

Angola está a entrar numa nova era que vai requerer mudanças estruturais profundas na economia e um reconhecimento de que “as velhas formas de fazer negócios têm de mudar”, disse o especialista em questões angolanas Soren Kirk Jensen.

Em conversa com a VOA sobre as negociações entre Angola e o Fundo Monetário Internacional (FMI), Jensen, que trabalha no prestigioso centro de estudos britânico Chatham House, avisou que quaisquer que sejam essas negociações e os termos de um acordo, “a mudança apenas pode vir de dentro”.

O analista disse que um acordo entre o FMI e Angola seria “uma boa nova”, fazendo notar que um acordo anterior em 2009 tinha resultado em reformas importantes, como por exemplo no sector tributário não petrolífero.

Jensen fez notar que para além da assistência financeira o FMI pode fornecer ajuda técnica para Angola introduzir reformas necessárias em diferentes sectores da economia.

O acordo agora a ser negociado, disse o analista, será diferente do anterior já que será a médio prazo e, portanto, centrado “em reformas que possam ser implementadas a médio prazo”.

“Um das áreas em que o FMI deverá pôr alguma enfâse é na transparência fiscal”, disse jensen, sublinhando que a crise na Europa tinha ensinado que um défice fiscal numa empresa estatal não é reconhecido como do país e isso “pode ser muito perigoso e transformar uma dívida sustentável para insustentável da noite para o dia”.

Fazer mais com menos

“Esperamos que o FMI venha a reforçar iniciativas já iniciadas pelo Governo para aumentar substancialmente a transparência e a prestação de contas de várias empresas estatais”, considerou o analista, para quem deve ser pedido que “essas empresas prestem anualmente relatórios financeiros auditados e públicos”.

O FMI deverá também lançar um programa para “reforçar a eficiência dos investimentos públicos”, acrescentou Soren Kirk Jensen, apontando ainda que o Fundo tem de "ajudar Angola a fazer mais com menos recursos”.

Para Jensen é importante, contudo, que qualquer programa do FMI seja acompanhado “rigorosamente” de medidas de protecção dos mais pobres e desfavorecidos da sociedade angolana.

Um exemplo será um apoio ao Programa Integrado Municipal de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza que, segundo Jensen, tem tido sucesso.

O analista da Chatham House afirmou que “o mais importante é que o Governo precisa começar a implementar reformas verdadeiras para se preparar para um futuro económico menos dependente do petróleo”.

“O que é importante é reconhecer que o país está a entrar numa nova era que vai requerer mudanças estruturais profundas na economia e um reconhecimento de que as velhas formas de fazer negócios têm de mudar”, defendeu o analista, que concluiu dizendo que "a mudança apenas pode vir de dentro”.

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