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Angola Fala Só - Verónica Sapalo: "Sem igualdade do género vamos ter desenvolvimento desigual"

  • Redacção VOA

Verónica Sapalo, jurista e directora da Plataforma das Mulheres em Acção - foto cedida pela própria

Angola ainda “tem muito que cavalgar” em termos de igualdade do género “quer nas políticas públicas quer nas questões socio-económicas”, disse a jurista Verónica Sapala, directora da Plataforma de Mulheres em Acção.

Falando no programa “Angola Fala Só” Sapalo começou por delinear as diferenças que existem entre as mulheres nas zonas urbanas e rurais realçando que há mais adesão das mulheres nas zonas urbanas porque há maior disponibilidade de serviços.

No interior do país há enormes problemas relacionados com o acesso à educação, a serviços de saúde e planeamento familiar, disse.

“Estas carências limitam o próprio desenvolvimento e participação da mulher”, acrescentando que as dificuldades nas zonas rurais de acesso à água e outros meios de subsistência levam a que asmulheres tenham que se preocupar mais com a sua sobrevivência e menos com a participação na vida política e social.

“A condição da mulher pode mudar mas para mudar é preciso que haja políticas favoráveis de integração social que reforcem a participação e integração das mulheres”, afirmou.

“Enquanto não houver uma igualdade de oportunidades vamos continuar a ter um mundo desigual, um desenvolvimento desequilibrado”, acrescentou.

Verónica Sapalo criticou o facto de os media estatais darem mais primazia à organização da Mulher Angola (OMA) ligada ao partido no poder, o MPLA afirmando que as autoridades “não se deviam pautar por esse nível”.

“Os governantes de Angola deveriam reflectir que a diferença partidária, o falar diferente, não implica ter espaços separados. Todos em conjunto podemos contribuir para o engrandecimento do país”, acrescentou.

Sapalo referiu também que “há fraca colaboração entre as lideranças femininas dos grupos dos diferentes partidos políticos”.

Interrogada por um ouvinte se tinha aspirações de formar um partido político a directora da Plataforma de Mulheres em Acção disse que um partido político “para mim não interessa”.

“Estar limitada a falar porque tenho de depender de uma disciplina politico-partidária não me interessa”, rematou.

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