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Angola Fala Só - Rafael Marques: "Lourenço é um radical, um duro do MPLA"

  • Redacção VOA

Rafael Marques

Rafael Marques

Activista descarta ambições de ser Presidente da República e diz que apenas quer uma "Angola sem corrupção".

João Lourenço é “um duro” e “um radical do MPLA”, disse o activista e jornalista Rafael Marques no programa Angola Fala Só desta sexta-feira, 9.

Marques opinava sobre a notícia de que o General João Lourenço deverá ser o cabeça-de-lista do MPLA nas próximas eleições gerais em Angola.

Essa decisão ainda não foi anunciada publicamente, mas foi reportada pela imprensa internacional, depois de uma primeira informação não confirmada oficialmente transmitida pela Rádio Nacional de Angola, mas espera-se que seja anunciada neste sábado, 10, durante as celebrações do 60º aniversário do partido no poder.

Rafael Marques criticou o facto de as autoridades angolanas terem mantido até agora um silêncio absoluto sobre a decisão, descrevendo-a como "uma falta de respeito para com o povo angolano".

O jornalista e activista fez notar que João Lourenço tinha sido escolhido dentro do MPLA numa “transmissão do testemunho autocrático”, um processo que é a continuação dos “processos anti-democráticos do levanta a mão”.

Para Marques “houve um processo autocrático dentro do MPLA” pelo que a escolha de João Lourenço “não é parte de um processo democrático e começa mal”.

Para o activista, a nomeação de um general para possivelmente suceder a José Eduardo dos Santos é também um sinal da “militarização do regime”.

João Lourenço, como actual ministro da Defesa, é um sinal da vontade do MPLA “controlar a defesa”, disse Marques, acrescentando que "não há intenções de reformas”.

O activista sublinha que "a saída de José Eduardo dos Santos representa um grande alívio, mas é aqui que termos que ter cuidado",

Quanto a Lourenço, Marques classifica-o como um radical, um duro do MPLA”, que, como o segundo da lista Bornito de Sousa, “vem da escola dos comissários políticos”.

No programa, um ouvinte quis saber se há verdade nos rumores propagados nas redes sociais que João Lourenço não é angolano e que nasceu na Republica Democrática do Congo.

Marques foi permetório: “João Lourenço é cidadão angolano tal como José Eduardo dos Santos o é”.

P vencedor do prémio da Transparência Internacional, que tem sido um incansável combatente contra a corrupção, disse que para se combater a corrupção em Angola “tem que haver vontade política”.

Assim, fez notar que há 20 anos foi aprovada a criação da Alta Autoridade de Combate à Corrupção mas que nunca foi formada.

Um dos primeiros testes a João Lourenço será perguntar- lhe se aprova a criação dessa autoridade, disse Rafael Marques, para quem “combater a corrupção é combater José Eduardo dos Santos e os corruptos à sua volta” pois “a corrupção é um mecanismo de repressão e opressão do povo angolano”.

Para exemplificar Marques fez notar o facto de que os angolanos têm que pagar “gasosa” para serem atendidos nos hospitais ou para qualquer outro serviço.

“É a corrupção que governa Angola”, sentenciou.

Ainda durante o programa, e em resposta a várias perguntas dos ouvintes, o activista criticou ainda a recente lei de imprensa aprovada apelo Parlamento, que descreveu de “draconiana” e que tem o objectivo de limitar ainda mais “os focos de resistência” existentes num sistema onde já não existe liberdade de imprensa.

Interrogado sobre a possibilidade de eleições autárquicas, Rafael Marques disse que essas eleições “sem reformas são uma ilusão”.

Marques, instado por um ouvinte, diz ter ambições "como todo o angolano", mas as dele passam por ver uma "Angola sem corrupção", mas nunca ser Presidente da República.

Veja o programa na íntegra

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