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Angola Fala Só - Padre Pio Wacussanga: "Há uma crise de visão de futuro"

  • João Santa Rita

Padre Pio Wacussanga

Padre Pio Wacussanga

Angola atravessa não só uma crise económica, mas também uma crise de visão do futuro, disse o Padre Pio Wacussanga.

Falando no programa “Angola Fala Só”, o conhecido sacerdote na região dos Gambos disse que há por parte das autoridades uma “falta de visão do futuro, uma falta de proposta de como podemos viver uma vida melhor”.

“Não consegui ver daqueles que constituem o governo um diálogo inclusivo e abrangente para se sair da crise,”disse o padre que defendeu que o país precisa de “transitar de modelos antigos centralizados e mais fechados, sem diálogo, para um de diálogo”.

Para ele, “não haveria melhor figura para liderar essa transição do que o presidente Eduardo dos Santos".

O padre defendeu um sistema económico de maior apoio aos pequenos agricultores e pequenos empresários.

Quanto à paz, Wacussanga fez notar que ela “resulta de um acordo tácito ou explicito” do respeito mútuo.

“Nós notamos que infelizmente nos últimos tempos a elite que governa este país perdeu o respeito pelos outros, não tem muito em consideração às nossas diferenças e não respeitam os outros”, afirmou.

No lugar disso, em Angola se está a assistir “a um fechamento gradual do espaço público, com medidas que visam restringir a sociedade civil”.

O Padre Pio considerou de imoral a contratação de artistas estrangeiros que são pagos milhões de dólares “para o prazer de uma pequena minoria” numa altura em que se morre de fome nalgumas zonas do pais.

“Isto contradiz todo o espirito da independência, contradiz o sofrimento pela autodeterminação e todo o senso de solidariedade (...) é um gesto que de moralidade não tem nada”, acrescentou.

Interrogado sobre o seu recente depoimento no julgamento dos activistas acusados de tentar derrubar o governo, Wacussanga disse que como membro da igreja “não poderia não comparecer”.

Mas disse respeitar a decisão daqueles que decidiram não comparecer “naquela farsa, passe a expressão”.

O padre, que foi chamado a depor sobre o facto de o seu nome estar incluído numa lista de um chamado governo de salvação nacional para Angola, disse não entender “como é que um assunto que surgiu da liberdade de um grupo de amigos no Facebook se torna num assunto de dimensão nacional”.

No programa o pároco defendeu a necessidade de eleições autárquicas como forma de fortalecer a democracia, pois “o actual modelo constitucional não visibiliza a expressão de minorias étnicas”.

As autárquicas, disse, serviriam também para “incentivar as comunidades locais (...) e permitir a participação mais efectiva das comunidades ao nível mais básico”.

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