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Angola Fala Só - Padre Casimiro Congo: "Eu não sou político, sou a consciência do povo"

  • Redacção VOA

Padre Casimiro Congo - Cabinda Angola

Padre Casimiro Congo - Cabinda Angola

Acredita que a juventude vai protagonizar uma nova Angola.

A governadora de Cabinda ignora a Constituição ao proibir a manifestação prevista para sábado contra as detenções de Marcos Mavungo e Arão Tempo, disse o Padre Casimiro Congo.

Congo regia a um comunicado da governadora Altina Matilde da Lomba anunciando a proibição da manifestação por alegadamente não respeitar os parâmetros da lei.

“Não sei como é que a primeira secretária do MPLA em Cabinda não conhece a Constituição”, disse o Padre Congo que rejeitou também a alegação de que a manifestação seria uma ofensa à honra e consideração devidas aos órgãos de soberania democraticamente eleitos.

“Os representantes eleitos devem encontrar-se com o eleitorado”, disse o Padre Congo, que recordou ainda que nas eleições anteriores o MPLA elegeu quatro dos cinco deputados do enclave pelo que não pode compreender porque é que “tem medo do eleitorado”.

Numa hora de intenso debate sobre a situação em Cabinda, Casimiro Congo disse que no território “estamos habituados a prisões arbitrárias”, acrescentando que “os tribunais são um instrumento do Governo”. Nas audiências, disse, “esperam para que cheguem do poder as sentenças”.

Ele manifestou-se, contudo, optimista quando à “construção de “uma nova Angola” porque lembrou que “ninguém é eterno”.

“Acredito que esta juventude pode ter a última palavra a dizer (sobre o futuro de Angola)”, reiterou .

Líder da Igreja Católica das Américas em Cabinda, ele acusou a Igreja Católica Romana, de quem se afastou, de colaborar com as autoridades “para nos fazer mal”.

Interrogado sobre o facto de a Igreja afirmar que não é nem pode ser um partido da oposição o Padre Congo respondeu que o problema a que a Igreja faz face em Angola não é esse. “O problema da Igreja de Angola é que está no muro e não sabe de que lado cai”, afirmou.

Casimiro Congo revelou que no ano passado ele e outros membros da sociedade de Cabinda reurniram-se com um enviado da Casa Militar da Presidência da Republica que tinha afirmado que o Governo estava pronto a considerar “uma autonomia administrativa”.

A pergunta que tinha sido feita ao enviado tinha sido “até onde chegaria essa autonomia”. Segundo ele, foi eleborada uma acta dessa reunião, mas pouco tempo depois as autoridades lançaram uma campanha de repressão contra a sua Igreja.

“Angola não quer debater os problemas”, acusou Casimiro Congo.

Interrogado sobre o Forum Cabindês para o Diálogo que assinou um memorando de entendimento com o Governo que contudo não resolveu as tensões que se vivem no território, o Padre Casimiro Congo descreveu o fórum como “uma etapa”.

No fórum, disse, “ Bento Bembe não detectou a falta de boa vontade”, mas o padre Casimiro afirma não querer divisões entre os cabindas. Pelo contrário defende a criação de um espaço para a reconciliação entre os cabindas e manter a unidade

“Eu não sou politico sou a consciência do povo”, disse afirmando que a sua popularidade entre os cabindas tem uma razão. “Sou coerente desde sempre”, concluiu.

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